A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 20/10/2020
Descubra a Roseta brasileira
Graças ao linguista francês Jean-François, foi possível decifrar o código dos hieróglifos através da importante pedra Roseta, que continha um mesmo texto nos dois idiomas. Porém, no Brasil, não há uma pedra Roseta para as línguas indígenas. Desde antes do descobrimento, há inúmeras línguas ágrafas em uso no país por tribos indígenas. Consequentemente, a falta de registros impossibilita a perpetuação do idioma e sua cultura ao longo dos anos.
A limitação da tradição oral de uma língua, além de gerar o risco de prejudicar o ensino e transmissão da mesma entre a comunidade, torna sua continuidade em sério risco, por bastar apenas que os atuais falantes venham a falecer que não haverá maneiras de resscuscitar o idioma. Tal problemática, vem sido negligenciada pelo brasileiro há séculos, tanto que dados preocupantes alegam haver cerca de 190 línguas indígenas sob risco de extinção.
Segundo a Unesco, 96% da população mundial falam só 4% das línguas existentes. E apenas 4% da humanidade partilha o restante dos idiomas, metade dos quais se encontra em perigo de extinção. Entre 20 e 30 idiomas desaparecem por ano, uma média de uma língua a cada duas semanas. Como indicativo desse processo, a falta de trabalhos acadêmicos no Brasil direcionados ao estudo das línguas indígenas torna o país um dos maiores influentes na extinção das mesmas
Devido à problemática supracitada, cabe às universidades brasileiras públicas e/ou privadas, iniciarem um programa de pesquisa e grafação das línguas indígenas remanescentes em território nacional. Ademais. compete ao Ministério da Educação oferecer a premiações e agremiações para os trabalhos mais bem sucedidos. Posto isso, o Brasil poderá ter seus próprios Jean-François e suas próprias histórias contadas nos livros ao lado da lendário pedra Roseta.