A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 14/10/2020
Anualmente, a Organização das Nações Unidas (ONU) aborda temáticas relacionadas a aspectos relevantes para a humanidade. Em 2019 foi a vez de celebrar o ano internacional das línguas indígenas. Dessa forma, o Brasil se torna um dos maiores contemplados da comemoração, visto que possui uma das maiores diversidades étnicas do mundo. Porém, na conjuntura hodierna, o país sofre problemas na conservação do idioma indígena, haja vista que isso não só afeta a língua minoritária, mas também, podem resultar nas perdas culturais dessas populações.
Primeiramente, durante o processo de modernização e de centralização dos Estados nacionais, a ideologia predominante era a de que a homogeneidade linguística garantiria a unidade nacional, sendo, para isso, necessário escolher uma única língua oficial para a nação. Assim, de acordo com o especialista em Direitos Humanos de Minorias e direitos linguísticos, Fernand de Varennes, ao excluir o uso das demais línguas da esfera pública, as autoridades estatais excluíam seus falantes do exercício da cidadania, pois dificultavam o acesso às oportunidades educacionais e de emprego. Desse modo, a exclusividade da língua dominante como oficial do Estado ainda hoje coloca os falantes dessa língua em vantagem, tanto no acesso a serviços e benefícios estatais quanto no controle de áreas administrativas, políticas, educacionais e econômicas.
Além disso, quanto mais se estabelece contato, os indígenas veem o português como uma forma de conquistar espaço, uma ferramenta de poder. Isto é, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cidadania (UNESCO), a grande maioria de línguas existentes, faladas sobretudo por povos indígenas, continuarão a desaparecer em um ritmo alarmante. Dessa forma, sem a medida adequada para tratar dessa questão, mais línguas irão se perder, e a história, as tradições e a memória associadas a elas provocarão uma considerável redução da rica tapeçaria de diversidade linguística em todo o mundo, podendo resultar na extinção cultural dessas populações.
Destarte, portanto, que é importante que o Estado brasileiro proteja os territórios indígenas para o autodesenvolvimento socioeconômico e para que cada povo continue desenvolvendo sua língua e seus costumes ancestrais. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI), por meio do Governo, deve criar um Instituto de Línguas Indígenas que ofereça assistência aos povos e indivíduos nos processos de documentação e revitalização de suas línguas. Assim, irá beneficiar não só os indígenas, mas a população ao todo, pois a diversidade cultural no país continuaria. Assim sendo, o Brasil vai continuar na primeira posição das diversidades étnicas do mundo.