A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 14/10/2020
Em 1500, com a chegada dos portugueses no solo brasileiro, travou-se o primeiro contato entre os povos indígenas e os recém-chegados. Tal contexto gerou um certo estranhamento cultural, seguido de uma tentativa de padronização linguística, por parte dos europeus, fato este que deu início ao complexo fenômeno do eurocentrismo. Apesar do hiato temporal, nota-se que essa conjuntura permanece - de certa forma - presente nos dias atuais, visto que diante da intensa padronização social, atrelada à existência de uma globalização perversa, na contemporaneidade, milhares de línguas indígenas estão sendo, continuamente, extintas do contexto atual.
De início, cabe destacar a forte influência dos padrões sociais vigentes sobre o processo de extinção linguística dos ameríndios no país. Isso porque, em virtude da notória influência da Indústria Cultural, no que tange à sociedade contemporânea, o surgimento de uma padronização sociocultural - atrelada à criação de errôneos esteriótipos - contribui, significativamente, para a baixa valorização da cultura e língua de diversos povos - como os indígenas - no meio social. Dessa forma, os ditados padrões passam a limitar a diversidade linguística da sociedade, herdada desde os tempos mais remotos, criando, assim, uma espécie de " bolha social " que exclui erroneamente a cultura indígena, pelo simples fato de ser diferente. Esse panorama é duramente criticado pelo escritor Marcos Bagno, o qual cita que a construção de padrões linguísticos é fortemente presente no meio social, sendo formulada pelas elites, econômicas e sociais, de uma determinada localidade. Do mesmo modo, a existência de um global contexto de comunicação também se relaciona com tal problemática. Justifica-se isso pelo fato de que, em decorrência da ampla facilidade nas trocas informacionais existentes na contemporaneidade, certas culturas e línguas - como a indígena - passam a perder um pouco da sua originalidade. Pois, segundo o geógrafo Milton Santos, em sua formulação sobre um novo conceito de globalização, a constante intercomunicação entre pessoas tende a sobrepor determinados elementos culturais sobre outros, evidenciando o lado perverso desse processo.
Portanto, é notória a relação entre a existência de padrões sociais e o processo de extinção da língua indígena no Brasil. Assim, torna-se necessária a criação de um Programa Nacional de Incentivo à Cultura Indígena, por intermédio da Secretária Especial da Cultura, responsável por proporcionar um maior incentivo cultural no país. Tal ação poderá ser feita por meio da ampliação de verbas para os órgãos indígenas no Brasil, os quais conseguirão aumentar escolas na aldeias, e incentivar a população ameríndia a perpetuar a sua língua e difundi-la para outros locais. Assim, a linguagem indígena se manterá constante na sociedade, preservando, desse modo, a histórica cultura brasileira.