A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 15/10/2020

“O homem é a medida de todas as coisas”. Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente a extinção de línguas indígenas, no Brasil, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, há uma intensa necessidade de se recuperar os falantes indígenas, tanto dos já extintos, como dos que estão em risco de extinção, uma vez que a desvalorização dessa cultura é a causa desses imbróglios.

Em primeira análise, convém frisar o período histórico entre, os séculos XVI e XIX, quando os portugueses começaram a ter relações com os povos indígenas, na qual houve um intenso choque cultural, devido às diferenças entre os costumes e as tradições, firmando a cultura portuguesa como “superior” as do próximo. Nessa lógica, não é de hoje que a desvalorização do linguajar do índio se faz presente no âmbito social, já que desde os primórdios outros povos queriam a todo instante colocá-los em situações de inferioridade, e como selvagens. Sob essa ótica, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos e naturalizados. Nesse contexto, a cultura americana sempre foi vista como referência, sendo reproduzida pelos indivíduos como superior, de modo que as autóctones estão sendo extremamente banalizadas, posto que o sentimento de pertencimento tem sido perdido e as multiculturas dos indígenas, como a culinária, dança e as línguas desmemoriado.

Ademais, a extinção de línguas aborígenes são evidentes, no cenário hodierno. Nessa lógica, o célebre escritor José de Alencar, em sua obra “O Guarani”, retrata a histórica de Peri, de modo que ocorre uma intensa valorização do índio, haja vista que no livro, eles eram vistos como heróis nacionais. Contudo, essa realidade faz-se presente somente na ficção, já que na realidade são notórios como esses povos são desvalorizados, majoritariamente na extinção do linguajar, o que representa o desaparecimento de diversos conhecimentos acumulados ao longo dos séculos.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe ao Ministério da Educação, o papel de incentivarem nas escolas, -por ser um local que se tem o conhecimento sobre diversas línguas-, a valorização da linguagem indígena e de sua cultura, por meio do acesso a culinária, musica, dança desses povos, a partir de oficinas de revitalização e exposição, por serem mecanismos de reconstrução de pontes, de modo que seja uma fonte de perpetuação da cultura dos autóctones, para que assim, haja uma ampla mobilização, a fim de mitigar a visão etnocentrista e recuperar línguas indígenas em risco de extinção.