A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 17/10/2020
Falar é existir. Desde a colonização portuguesa, as línguas indígenas foram desaparecendo aos poucos, sendo existentes, a princípio, 1,2mil; agora, 274, das quais 190 correm risco de extinção, segundo a Unesco. É preciso valorizar e reconhecer que a cultura indígena é tão digna quanto qualquer outra manifestação cultural, evitando a discriminação por parte da sociedade no geral. Além do mais, com o desvanecer dessas línguas, perde-se também uma grande bagagem cultural. Assim, nota-se a importância de combater a extinção de línguas indígenas no Brasil.
Segundo Fernando Pessoa, a cultura não é ler muito nem saber muito; é conhecer muito. Em paralelo, temos a cultura indígena, que através de sua fala transmite o conhecimento adquirido ao longo de várias gerações. Com a morte de uma língua, morrem também as tradições, histórias, culinária, medicina, identidade, toda memória que uma língua guarda dentro de si. E com uma perda de tamanho porte, tem-se, por conseguinte, um grande empobrecimento cultural brasileiro.
No livro, “O sol é para todos”, de Harper Lee, tem-se uma sociedade extremamente discriminadora, que não aceita o diferente. Sob tal ótica, a discriminação para com os falantes da língua nativa é um fator que pode agravar a extinção das línguas indígenas, uma vez que isso faz com que o falante de tal idioma sinta uma espécie de vergonha étnica, fazendo-o evitar praticar o idioma. É preciso entender que “Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”, como diz Carlos Drummond de Andrade.
Por fim, nota-se a importância de implantar ações que visam atenuar cada vez mais as extinções das línguas indígenas no Brasil. Assim, o Ministério da Educação deve incentivar às escolas a desenvolverem a temática indígena, mostrando aos estudantes a diversidade de tal cultura, sua importância e como é fundamental aceitar o diferente, tudo isso visando diminuir o preconceito e aumentar a valorização de tal cultura.