A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 17/10/2020
Segundo estudo da Atlas Mundial das Línguas elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Brasil é a terceira nação com o maior número de línguas ameaçadas - no caso nacional, são as línguas indígenas. Essa problemática possui raízes históricas, e os efeitos, na contemporaneidade, podem ser catastróficos para as populações indígenas. Por isso, a atuação do Estado, incontestavelmente, torna-se fundamental para reverter essa triste situação.
Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil, influenciado pelo etnocentrismo de Portugal, sempre desprezou todas as expressões culturais externas que não estivessem nos moldes europeus. Isso foi o que aconteceu no período colonial brasileiro, durante o governo do português Marquês de Pombal. Uma das medidas notáveis desse governante foi a oficialização da língua portuguesa no país, o que promoveu, paulatinamente, a proibição e a extinção das línguas indígenas no território nacional. Infelizmente, tal medida permaneceu intacta até os dias atuais, mesmo que de modo disfarçado, porque as múltiplas formas de manifestações culturais indígenas, como a própria língua, são desprezadas pela educação e, por conseguinte, pela sociedade brasileiras. Dessa maneira, o precário ensino dessa cultura no âmbito escolar, de fato, contribui para a progressiva decadência dela no país.
Consequentemente, isso trará sérios prejuízos para a população indígena, inclusive, para a respectiva existência dela na nação. Nesse sentido, é importante destacar que a língua indígena não está restrita somente à comunicação banal; pelo contrário, está relacionada com a transmissão de certos valores e ensinamentos que são essenciais para a identidade desses grupos sociais. Por exemplo, os dialetos indígenas compartilham tradições morais, religiosas e ritualísticas dos antepassados deles, como o modo de viver, as crenças e as culinárias, as quais caracterizam esse povo brasileiro e, com efeito, são elementos de pertencimento cultural. Dessa forma, fica claro que a língua indígena é de suma importância para a preservação não só da cultura, mas também, da vivência dos próprios índios da nação.
Diante do exposto, para evitar a extinção das línguas indígenas no Brasil, é dever do Ministério da Educação, por meio de decretos governamentais especiais, inserir, na grade curricular escolar do ensino fundamental e médio, matérias que envolvam o ensinamento profundo da cultura e da língua indígenas para as crianças e para os adolescentes, de modo que esse conhecimento possibilitará a sensibilização desses estudantes e, portanto, irão valorizar tais pilares antropológicos. Assim, as línguas indígenas voltarão a ter o merecido destaque no país, do mesmo jeito como era antes da aterradora colonização portuguesa.