A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
O romantismo brasileiro foi marcado pela valorização de um indígena idealizado como herói nacional. Entretanto, contrastando com tal período literário do século XIX, o cenário brasileiro atual exprime um imenso descaso para com os povos indígenas, o que reflete, inclusive, na proteção à imensa diversidade linguística presente nesses povos. Assim, torna-se necessário analisar, não apenas a influência histórica sobre a desvalorização cultural dos povos nativos, mas também a falta de interesse observável na sociedade contemporânea brasileira em proteger o que ainda resta das culturas indígenas.
A priori, vale considerar a influência histórica no processo de desvalorização das línguas indígenas. Segundo o historiador Ronaldo Vainfas, “a história do povoamento indígena no Brasil é, antes de tudo, uma história de despovoamento”. De fato, é notável que a quantidade de indígenas no Brasil apenas diminuiu desde a colonização portuguesa em 1500, correspondendo a 0,43% da população total do país, segundo o censo nacional de 2010. Durante todo esse período, as comunidades indígenas foram escravizadas, sofreram com o genocídio de seus povos, foram discriminadas, enfrentaram preconceito e perda de seus territórios, dentre outras coisas. Tudo isso foi destruindo gradativamente a cultura dos povos indígenas e causando o desaparecimento da imensa diversidade de línguas existente antes da colonização, problemas que, infelizmente, persistem até a atualidade.
Por outro lado, é notável que todo o sofrimento enfrentado pelos povos nativos moldou a forma como a sociedade brasileira, no geral, enxerga essas comunidades. De fato, pouquíssimos consideram importante a proteção da cultura indígena e a preservação da diversidade de línguas existente entre essas comunidades. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 274 línguas indígenas são faladas no Brasil. Entretanto, o português, que é considerado o idioma oficial do país, recebe maior importância nas escolas e maior visibilidade nos meios midiáticos. Mesmo com toda a injustiça observada para com esses povos, não é notável uma grande repercussão ou qualquer interesse em lutar a favor da preservação das línguas indígenas, o que exprime o imenso descaso que grande parte da população brasileira possui em relação à preservação de tudo o que resta dos povos nativos.
Assim, considera-se que cabe ao Ministério da Educação, juntamente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), implementar na grade curricular escolar, aulas que expliquem sobre a riqueza das culturas indígenas e a importância de sua preservação, a fim de que as crianças aprendam a imensa diversidade linguística presente no Brasil, que não se limita apenas ao português. Dessa forma, os povos nativos poderão receber a valorização merecida, como ocorria no romantismo, mesmo sem ser descritos de forma idealizada