A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
As línguas indígenas, que representam várias etnias dos povos autóctones, sofrem risco de extinção desde a descoberta do Brasil, quando a Coroa portuguesa considerava as línguas nativas como ameaças e passou a proibi-las. Essa ameaça à língua, foi amenizada a partir da constituição de 88, porém, até os dias atuais, dados indicam que elas ainda sofrem risco de extinção. Isso acontece devido à falta de oportunidades educacionais oferecidas para os falantes da língua indígena e devido as invasões de território, que desvalorizam a cultura dos nativos.
Primeiramente, deve-se compreender que a extinção das línguas indígenas é um indicativo que a cultura indígena, em geral, não está sendo preservada devidamente. Um ponto significativo a analisar é a questão das oportunidades, principalmente no quesito educacional. Os povos nativos, quando crianças e jovens, são educados a partir de uma educação de base bilíngue, contando com a sua língua materna e o português. Porém, em muitos casos, professores são incapacitados para lecionar as duas línguas e além disso, esse ensino bilíngue se encerra nos primeiros anos fundamentais da escola. Assim, o indígena, que seguir a vida acadêmica, acabará dominando melhor o português, visto que é a língua oficial do país e consequentemente as oportunidades são maiores.
Embora a educação bilíngue falha seja um grande problema, outro fator que contribui nessa extinção das línguas indígenas é a invasão dos territórios, que sem a proteção devida, os nativos acabam perdendo suas terras, e assim, sem território próprio, não é possível manter a cultura da comunidade viva. Isso pode ser visto pela afirmação do linguista Angel Corbera Mori ‘’ Políticas de preservação e registro da língua são importantes, mas não adiantam nada se eles não têm território, se são expulsos de suas terras’’, confirmando que a terra própria é um grande fator para que a língua seja transmitida entre os povos.
Dessa maneira, a partir do exposto, conclui-se que para preservar as línguas indígenas, o governo em parceria com a Funai, deve abrir um processo seletivo mais rigoroso para professores que educarem povos nativos, com convicção de que esses povos receberão educação advinda de professores qualificados que garantiram que o ensino do português seja tão produtivo e válido como o da língua materna. Além disso, essa educação bilíngue deve ser prolongada até o final da vida escolar, no ensino médio, garantindo que crianças e jovens indígenas se interessem e aprendam mais sobre a sua cultura durante o processo escolar. Dessa forma, assim como deve existir uma proteção dessa cultura na educação, a Funai deve criar leis mais rigorosas que protejam os povos autóctones, garantindo que essa cultura, em geral, não entre em extinção.