A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Decerto, sabe-se que em 1549, com a vinda dos jesuítas para o Brasil, houve o início do processo de educação e catequização dos índios. Desse modo, observa-se que os nativos foram submetidos a novos costumes e, consequentemente, sua cultura, passada de geração em geração, foi se tornado fluida. À vista disso, é evidente que as línguas indígenas no Brasil estão, infelizmente, se tornando extintas devido ao descaso governamental em relação ao cumprimento de leis protetivas e à falta de valorização dos povos indígenas.
Primeiramente, é evidente que, por habitarem uma região rica em recursos minerais e hídricos, a população indígena precisa lidar, constantemente, com as invasões de diversos garimpeiros ilegais que se instalam nessas áreas com o objetivo de extrair, para benefício próprio, esses minérios, ocasionando, portanto, conflitos devastadores com as tribos que ali vivem. Exemplificativamente, em 2013, o IBGE relatou que de 34 mortes, metade era de índios, e a Funai (Fundação Nacional do índio) reconheceu de 85% das reservas sofrem invasões continuadamente. Dessa maneira, percebe-se que há uma ineficiência no cumprimento das leis que protegem os direitos indígenas, visto que diversas tribos optam por deixar essas terras, asseguradas pelo Estado, por receio e pelos danos ocasionados na região.
Ademais, o povo indígena é desvalorizado, também, pelo preconceito e exclusão social a que são submetidos, uma vez que ainda há, em parte da população, o pensamento de superioridade cultural herdado da população portuguesa do século XVI. Outrossim, segundo Voltaire, o preconceito é opinião sem conhecimento. Dessa maneira, percebe-se que a falta de entendimento sobre determinado assunto ocasiona a ignorância e o preconceito. Assim, nessa questão, a falta de conhecimento sobre a cultura indígena e sua influência no país, impede sua valorização.
Portanto, de acordo com os argumentos acima, é necessário que o Ministério da Cultura, órgão da administração pública federal direta que tem como competência a execução da política nacional de cultura, crie, por meio de um projeto, um museu das línguas indígenas, a fim de preservar e conceder à população o acesso à cultura indígena, além de disseminar a importância da valorização indígena para toda a população. Além disso, o Poder Executivo, deve criar, por meio de leis, um órgão especifico de fiscalização das terras indígenas, para que haja o impedimento de conflitos por território e danos ambientais decorrentes da mineração ilegal.