A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Segundo a revista “Super Interessante”, são falados mais de 180 idiomas além do português no Brasil, entretanto, 87% deles, todos pertencentes à cultura indígena, sofrem risco de desaparecerem. Acerca disso, percebe-se que a globalização e o sistema capitalista tem influenciado cada vez mais para a supremacia de certas línguas em detrimento de outras com menor número de falantes, gerando perniciosos efeitos na identidade de uma nação como o Brasil, reconhecida mundialmente por sua grande diversidade cultural. Portanto, torna-se importante analisar que o descaso governamental frente à população indígena e o estabelecimento de uma língua universal no mundo globalizado corroboram para ao agravamento de tal problemática.
Primeiramente, é lícito postular, sob tal perspectiva, que a negligência estatal frente à comunidade indígena no Brasil força tais indivíduos, muitas vezes, a saírem de suas aldeias em busca de melhores condições e oportunidades, e assim, consequentemente, tendo de abandonarem seu idioma de origem. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo de 2010, mais de 800 mil indígenas vivem nas grandes cidades do Brasil. Assim, a falta de regularização das terras indígenas pelo Estado e a precariedade do sistema educacional para nativos corroboram para tal migração e apagamento de diversos idiomas.
Outrossim, com o fenômeno da globalização, a língua inglesa passou a ser considerada como universal, estabelecendo certa hierarquia entre as linguagens, onde aquelas menos importantes economicamente são expostas ao risco de extinção. Para o escritor modernista Mario de Andrade, a antropofagia na linguagem, exemplificada na aquisição Português como idioma oficial Brasileiro, retira a identidade de uma Nação. Portanto, a hierarquização nas linguagem vai contra o patriotismo, que deveria ser priorizado em todas as vertentes culturais, como os idiomas indígenas em questão.
Logo, conclui-se que os idiomas indígenas possuem grande relevância histórica e cultural para o Brasil, sendo sua preservação de suma importância. Para isso, torna-se necessário que o Estado, responsável em garantir o bem-estar e educação de qualidade para a população, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), leve escolas com professores falantes da língua nativa para as aldeias, visando a profissionalização de tal parcela da população. Por meio de um ensino adaptado e financiado pelo Governo, o empreendedorismo será estimulado, garantindo empregos sem que, para isso, os nativos necessitem deixar sua língua materna.Desse modo, os índices de idiomas com risco de desaparecimento, apontado pela revista “Super Interessante” serão atenuados.