A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Sabe-se que no terrritório brasileiro há, aproximadamente, 724 línguas indígenas, segundo dados da Unesco, sendo que grande parte dessas estão ameaçadas de extinção. Muitos apontam que a razão para tal fato é decorrente da intensa globalização, que acaba por vezes atenuando as características singulares de culturas tradicionais, formando uma cultura mais uniforme, denominada cultura de massa. No entanto, tal fato não ocorreria com as culturas indígenas brasileiras caso elas fossem valorizadas nacionalmente antes de entrarem em contato com a cultura de massa. Portanto, cabe afirmar que a extinção de línguas indígenas no Brasil se deu, não somente pela falta de prestígo, mas também pelas ausência de políticas públicas para sua preservação.
Primeiramente, é válido destacar que os costumes e hábitos indígenas, ao decorrer da história, sofreram inúmeros ataques a sua integridade, a começar pelo período de colonização portuguesa. Esses europeus ao chegarem no Brasil julgaram a cultura aqui existente como inferior, desprestigiando-a, fazendo um julgamento de valor eurocêntrico, obrigando os nativos brasileiros a aderirem, por exemplo, a religião católica, fato ilustrado no quadro A primeira missa no Brasil, por Victor Meirelles. Dessa forma, levando em consideração que o idioma é uma constituinte importante na cultura de um povo, fica claro que ao imporem as diretrizes européias, grande parte da singularidade cultural indígena foi se perdendo, simbolizando um desafio para os índios que tentavam manter a sua cultura inalterada.
Além disso, aqueles que têm como objetivo preservar as diretrizes indígenas acabam enfrentando por vezes um outro inimigo: o próprio Estado. Esse, frente a todas as ameaças iminentes que a cultura indígena sofre, deveria apresentar políticas públicas para preservar esse traço da cultura brasileira. Entretanto, vê-se atualmente que o próprio chefe de Estado, Jair Bolsonaro, possui uma visão de desumanizar os índios e desvalorizar sua cultura, tendo em vista que em uma de suas declarações disse: “Cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”. Ainda assim, mesmo com esse cenário, Ysani Kalapalo fundou um canal no YouTube em que expõe curiosidades sobre sua tribo, valorizando sua cultura e consequentemente a língua indígena.
Portanto, conclui-se que a Secretaria Especial da Cultura deve trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação para que juntos possam elaborar um programa de valorização da cultura e do idioma indígena, sendo que tal programa deve passar pelas escolas públicas, assim as crianças irão valorizar esse traço da cultura brasileira. Tal medida pública deve ser tomada para que as diretrizes indígenas recebam a devida valorização e prestígio social, evitando assim esse risco de extinção. Dessa forma, mais indígenas como a Ysani sentirão orgulho por pertenceram a cultura indígena.