A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Pela sua socialidade, o ser humano, sempre necessitou de meios que permitissem sua convivência coletiva de forma plena, portanto, a fala é considerada a maior forma de expressão de um povo e sua principal marca cultural. Contudo, embora as línguas sejam consideradas Patrimônios Culturais Imateriais, a população nativa do país tenta resistir às situações que lhes colocam no abismo do esquecimento: primeiro, o preconceito da própria nação, segundo, a indiferença Estatal e midiática em não ressaltar a comunicação como um “organismo” vivo e suscetível mudanças.
Sob esse viés, o maior gramático brasileiro, Evanildo Bechara, defende que o falante deve ser poliglota dentro de sua própria língua. Entretanto, a população é omissa com tal máxima ao praticar constantemente o preconceito linguístico com os diversos dialetos indígenas. Segundo a Unesco, restam aproximadamente apenas 2% das línguas nativas faladas desde a época de Cabral, essa visão, comprova que as dificuldades - enraizadas historicamente no passado - enfrentadas por esses povos não são apenas civis, mas também, humanitárias e artísticas.
Em outra perspectiva, o filologista brasileiro, Marcos Bagno defende que deve-se trabalhar a língua de acordo com uma série de variantes, com a consciência de que tais variantes são legítimas. Dessa forma, observa-se que os dialetos estão em constante “metamorfose” - seja por razões históricas, seja por razões geográficas - e se não tiverem sua devida assistência, caminham rumo à extinção. Todavia, nem o Governo, nem os meios de comunicação social exercem sua função de amparo a esses “órgãos” vivos, fato que ocorre não só com a fala, mas com qualquer assunto relacionado aos nativos no país, que por sua vez, impedem esses povos de usufruir de seus direitos como cidadãos, assegurados pela Constituição.
Destarte, para conter a exclusão da identidade cultural indígena - causada pelo povo, Estado e mídia - cabe ao Ministério da Cidadania, junto aos meios televisivos e sociais, promover em escolas manifestações culturais nativas para as crianças e adolescentes, por meio de palestras e dinâmicas lúdicas com representantes natos - e não apenas docentes - que esclareçam que o dia do índio não é apenas um dia de fantasiar, mas também de lembrar e admirar as lutas e conquistas dos primeiros habitantes do país, assim como, conhecer como é ser um indígena no Brasil.