A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 24/10/2020
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, afirmava que a sociedade que se esquece da arte de questionar dificilmente irá encontrar soluções para os problemas que a aflige. Nesse viés, discussões acerca da extinção das línguas indígenas ocorrem no país. Isso é relevante, visto que, para a garantia da diversidade cultural no Brasil, é imprescindível a manutenção das variantes linguísticas dos diferentes povos habitantes. Dentre os principais desafios para a solução desse impasse, destacam-se a alienação social e a precária conduta do Poder Público. Logo, é necessário elaborar medidas com o intuito de alterar essa conjuntura negativa.
Diante desse cenário, sabe-se que um dos fatores que ampliam a problemática é o alheamento da população. Esse fato acontece, pois, na maioria das vezes, as pessoas pouco se importam em preservar as línguas indígenas, seja por meio das escolas, seja pelo conhecimento e pela divulgação das variações culturais. Nesse contexto, é importante ressaltar que tal mazela não é um problema recente, haja vista que, quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, já sobrepuseram a cultura europeia aos povos nativos, por a considerarem superior, assim como alguns indivíduos fazem na contemporaneidade. Por conseguinte, a extinção das diversas formas de comunicação se fazem recorrentes no Brasil, o que dificulta a diversidade cultural dos povos e o sentimento de pertencimento. Ademais, outra importante questão que favorece o entrave é a precária conduta estatal em garantir a biodiversidade. Isso ocorre, porque o governo pouco cria projetos de divulgação das línguas indígenas, ora nas mídias televisivas, ora nas rádios para a sua preservação. Nesse panorama, a parcela da população que não possui preservados seus costumes é, na realidade, de “Cidadãos de Papel”, como na teoria proposta pelo jornalista Gilberto Dimenstein, uma vez que a função do Estado de preservar a cultura dos povos, garantida pela Carta Magna, está prevista apenas no plano teórico, pois, na prática, muitos indivíduos não possuem seus benefícios consolidados pelo governo. Dessa forma, as futuras gerações pouco conhecerão as variantes dos seus antepassados.
É essencial, portanto, providências, cujo objetivo seja mudar esse lastimável quadro. Assim, ONGs humanitárias, por serem um importante fator de mobilização social, devem se manifestar nas ruas e nas redes sociais, por meio de campanhas publicitárias, conduzidas especificamente por historiadores, a fim de conscientizar a população sobre a importância do estudo e da divulgação das línguas indígenas, para que nenhuma cultura a sobreponha. Outrossim, o Estado, crucial para garantir o bem-estar aos cidadãos, por intermédio de uma melhor distribuição do PIB, precisa investir em projetos sociais de inclusão e preservação da cultura indígena, para garantir sua sobrevivência.