A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/10/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual observa-se justamente o contrário quanto à questão da extinção de línguas indígenas no Brasil. Nesse contexto, percebe-se um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de empatia e do silenciamento midiático.
Sob esse viés, a não preservação das línguas nativas encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra “Modernidade Liquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pela indiferença. Em virtude disso, há, como consequência, o individualismo, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução, uma vez que, a grande desvalorização dos povos indígenas influencia para que as línguas acabem desaparecendo ao longo do tempo.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o silenciamento midiático. De acordo com a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), quase 90% das línguas indígenas brasileiras já foram extintas e as que restam estão sendo constantemente ameaçadas. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a questão, influencia na consolidação do problema, silenciando ainda mais essa situação de desrespeito, descaso e desvalorização da cultura indígena, que vem ocorrendo no Brasil já há muitas décadas.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura e com o Ministério da Cultura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a questão no ambiente escolar, para alunos do Ensino Fundamental e Médio, com a intenção que desde a menoridade os jovens percebam que o Brasil é um país resultante da mistura de culturas múltiplas. Tais eventos podem ocorrer no período de contraturno, contando com a presença, se possível, de indígenas ou descendentes e professores. Além disso, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância da valorização e preservação das línguas indígenas no Brasil e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. Dessa forma, poder-se-á criar um ideal de nação de que Zygmunt Bauman pudesse se orgulhar.