A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 26/10/2020

O comportamento hostil de colonizadores europeus em relação a tribos autóctones é objeto de estudo histórico há muitas décadas. De forma similar, a extinção de dialetos indígenas no Brasil é uma das faces da violência contra esses povos, uma vez que o desmatamento e as intervenções humanas afetam severamente o bem-estar dos que foram os primeiros habitantes do Brasil.

Em primeiro lugar, ressalta-se que o desflorestamento é um dos fatores que gera o desaparecimento de idiomas nativos. Isso porque, com a devastação progressiva de florestas como a Amazônia, grupos que antes eram coesos e compartilhavam a mesma linguagem correm o risco de ficarem dispersos e de perderem o “capital cultural”, expressão do filósofo Pierre Bourdie que expressa o patrimônio intelectual de uma dada sociedade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Norte do país é o lugar que abriga a maior parcela de índios de todo  território nacional e, infelizmente, também é o local mais ameaçado pela destruição de ecossistemas. Dessa forma, é evidente a necessidade de refrear o desmatamento para minimizar o sumiço de idiomas aborígenes.

Ademais, as intervenções humanas em localidades de vivência autóctone também levam à extinção das linguagens faladas por eles. De acordo com a historiografia tradicional, desde o século XVI- período em que bandeirantes e jesuítas viajaram em direção ao interior brasileiro- o processo de aculturamento idiomático já havia iniciado, já que os falares nativos eram substituídos pela gramática normativa de Portugal. Outrossim, ainda é possível notar esse cenário atualmente, pois a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que inundou uma grande região da Floresta Equatorial Pluvial Amazônica, obrigou a população indígena a migrar e, por conseguinte, enfraqueceu os elos culturais e idiomáticos.

Portanto, é vital buscar soluções para mitigar essa mazela. Em primeira instância, o Ministério do Meio Ambiente deve reforçar o combate ao desmatamento, por meio de treinamento mais rigoroso de brigadistas e voluntários. Também é fundamental que o Ministério da Infraestrutura, órgão do executivo responsável pela realização de obras públicas, aprimore o estudo de campo para verificar os impactos de novos projetos em comunidades de índios, a partir da aquisição de materiais de mapeamento via satélite e contratação de geógrafos e engenheiros especializados em projetos de risco elevado. Tudo isso para que os idiomas dos primeiros habitantes do país sejam preservados e reconhecidos como patrimônio imaterial da nação brasileira.