A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 26/10/2020

No romance “O triste fim de Policarpo Quaresma”, é retratada parte da vida de Policarpo, um ferrenho nacionalista. Dentre as suas ideias mais singulares, uma delas é tornar o tupi-guarani a língua oficial do Brasil, plano que não prospera. Semelhante ao que se pode verificar na trama de Lima Barreto, o Brasil atual adotou uma postura de abandono às línguas indígenas, as quais estão na iminência do desaparecimento. Tal fenômeno é decorrente não só do processo de homogeneização da globalização, mas também do envelhecimento e morte de várias tribos nativas.

Primeiramente, é útil discorrer sobre os efeitos do processo de globalização para as populações nativas. Tal abordagem pode ser feita por meio da obra “Capitalismo: as consequências humanas”, de Zygmunt Bauman. Nesse livro, o sociólogo defende a dialética da globalização, isto é, à medida que há uma redução nas particularidades dos povos, há também uma maior polarização nos países.  No Brasil, esse efeito é encontrado no discurso de inexistência de diferenças entre outros cidadãos e indígenas, que - paradoxalmente - ainda sofrem por serem diferentes.

Ademais, há o agravante do envelhecimento dos nativos. Nesse sentido, cabe ilustrar a situação através dos Akuntsu, tribo que vive em Rondônia e conta atualmente com uma população de cerca de cinco pessoas. A transmissão de sua língua está bastante comprometida, uma vez que ninguém além deles sabe usá-la. Daí depreende-se que não é somente o envelhecimento - processo natural - o culpado pela perda dessas línguas, mas também a falta de ações afirmativas que evitem tal perda.

À vista disso, é notório que uma intervenção estatal deve ser imediata. Desse modo, caberá à FUNAI (Fundação Nacional do Índio) a promoção de missões científicas com antropólogos, etnólogos e linguistas para as aldeias que correm maiores riscos de terem suas línguas extintas. Lá esses estudiosos poderão estudar e registrar essas línguas e esses hábitos, e então disseminá-los para o restante da população. Assim, muito se terá feito para prevenir o decréscimo da própria história nacional.