A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/10/2020
No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do autor Lima Barreto, o patriota Major Quaresma insiste que o Tupi Guarani, língua indígena, deveria ser o idioma oficial do país, já que a língua é uma das manifestações culturais mais importantes de uma nação. Hodiernamente, apesar de se ter uma onda nacionalista perpassando o país, a extinção de línguas indígenas é uma realidade no Brasil, devido à desvalorização dos povos autóctones e aos índios serem retratados de maneira folclórica.
Primeiramente, é preciso ressaltar que a falta de preservação cultural indígena no Brasil corrobora o desaparecimento da língua desses povos ao longo do processo histórico. É possível perceber isso desde o início da colonização brasileira, uma vez que os índios foram tolhidos do direito de exercer a sua cultura, sofrendo processo de aculturação. Segundo Eliane Brum, em seu artigo “1500: o ano que não acabou, a perpetuação da violência contra os povos aborígenes segue até os dias atuais, devido aos conflitos de terra decorrente da falta de reconhecimento de direitos desse grupo e ao preconceito existente. Nesse contexto, o índio nunca foi valorizado, uma vez que a formação cultural brasileira ocorreu de forma brutal e de extermínio contra eles, em que diversos povos e línguas foram aniquilados. De acordo com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), 90% das línguas indígenas foram extintas ao longo do tempo.
Ademais, a forma folclórica como o índio é retratado fomenta o preconceito que leva à extinção das línguas indígenas. Isso pode ser explicado através da caracterização de crianças no dia dos índios, a qual é retratada de forma ilustrativa e ficcional. Essas caracterizações são carregadas de estereótipos e preconceito, como achar que índios são todos iguais. No entanto, é uma das culturas mais ricas que houve desde a formação do Brasil, visto que possuem diversas etnias, crenças e línguas. Porém, devido à essa criação imaginária sobre os indígenas, retratadas erroneamente durante a trajetória escolar, e ao desconhecimento da diversidade cultural desses povos, eles sempre estiveram à margem da sociedade, tal como a sua língua, desconhecida pela maioria dos brasileiros. Por mais que tenha-se uma lei que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, isso não ocorre de maneira efetiva.
Portanto, diante do exposto sobre a extinção das línguas indígenas é necessária medida que reverta esse cenário. Logo, urge que o Ministério da Educação efetive a lei existente sobre a história indígena nas escolas, com transmissões de aulas que retrate fidedignamente a diversidade cultural indígena — costumes, línguas, tradições e a história de resistência durante o processo histórico. Dessa maneira, será possível obter uma valorização dos nativos desde a formação escolar brasileira.