A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/10/2020

No pré-modernismo, o autor Lima Barreto, em seu livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, defende que os brasileiros deveriam utilizar a língua indígena tupi-guarani como a linguagem oficial do país, visto que o português era a fala do colonizador. Na obra, o plano da personagem criada por Lima Barreto fracassou, e o mesmo ocorre fora da ficção, uma vez que as línguas nativas estão sendo extintas.

De fato, a linguagem é uma forma de expressão da cultura. Ela pode ser alterada, como se estivesse “viva”, variando conforme passa o tempo ou de acordo com o povo e sua localidade. Historicamente, os portugueses, ao colonizarem o Brasil, introjetaram nos cativos, por meio das missões jesuíticas, não só a catequese como também o português, cuja função era substituir as expressões originárias das Américas e facilitar a exploração do povo indígena. Com isso, a cultura tupiniquim foi gradativamente apagada, juntamente com sua riqueza e diversidade.

Nesse sentido, atualmente, restaram apenas 20% das línguas, as quais outrora eram empregadas nos discursos das aldeias. A ineficácia de preservação da cultura indígena, por parte do Governo, contribui para a extinção do povo vermelho e de seus conhecimentos, haja vista o avanço do “arco do desmatamento”, o qual, muitas vezes, invade áreas demarcadas de reservas dos índios e que culmina em massacre desse povo. Outro exemplo, é a falta de incentivo, nas escolas públicas, do ensino, mesmo que básico, sobre termos indígenas e sua influência até hoje, em nomes de rios e cidades. Em decorrência desses fatores, ocorre a morte dos falantes e também de sua linguagem.

Ademais, segundo fontes da Unesco, há o perigo iminente de extinção de 190 línguas ameríndias, sendo notório o prejuízo para a pátria brasileira, porque o patrimônio linguístico indígena guarda, na memória coletiva, não apenas conhecimentos da natureza- tais como remédios naturais extraídos das florestas- mas também denomina algumas áreas conforme suas características, por exemplo, “caatinga” que significa  floresta branca, devido ao período de estiagem, no qual as árvores ficam esbranquiçadas. Dessa forma, a ignorância para com expressões do povo vermelho é uma perda irremediável para o conjunto de saberes dos cidadãos brasileiros.

Portanto, é de suma importância que o Governo Federal incentive o estudo da linguagem indígena nas escolas, por meio da instrução de professores, os quais, nos cursos de graduação de letras, irão ter algumas aulas sobre tal matéria. Dessa forma, espera-se que as nuances linguísticas das comunidades ameríndias não sejam esquecidas e que o projeto de valorização do Brasil de Policarpo Quaresma tenham seu tão almejado sucesso.