A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 01/12/2020
O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa a extinção de línguas indígenas no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pela má formação socioeducacional do brasileiro.
Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émille Durkheim, a sociedade atual configura-se como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados à propagandas que disseminem a importância da preservação da língua indígena são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido incentivo governamental, muitas pessoas têm a opinião formada acerca das línguas e encaram a língua portuguesa como um idioma padrão da sociedade, fazendo com que muitas línguas indígenas sejam extintas.
Outrossim, a má formação socioeducional do brasileiro é um fator determinante para a permanência desse impasse. Sob esse viés, o escritor escocês David Hume afirma que a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento. Sob essa óptica, algumas instituições de ensino vão de encontro ao pensamento do escritor, dado que possuem uma didática deficitária e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade, visto que esse âmbito têm a função de ativar a criticidade dos jovens e elucidar conflitos do cotidiano. Em decorrência do descaso escolar muitos jovens não são orientados acerca da importância que a diversidade étnica têm para o país, e com isso as línguas indígenas e seus hábitos culturais, como a culinária, são desvalorizados e esquecidos.
Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado, aliado à mídia, por meio de verbas governamentais amplie propagandas acerca da importância da preservação de línguas indígenas no Brasil , com o intuito de que mais pessoas conheça a diversidade étnica da nação. Ademais, é importante que as escolas insira nas grades curriculares assuntos voltados para os dilemas do cotidiano, como a preservação e o uso das línguas indígenas na sociedade, por intermédio de atividades lúdicas e teóricas que insiram a participação de agentes indígenas, com a intenção de que mais pessoas conheçam as diversidades e as diferenças de outras culturas por meio da interação social. Com isso, a criticidade das pessoas será ativada e o proposto por Nietzsche será concretizado.