A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 27/10/2020
Desde o início da colonização do Brasil, a população indígena vem sendo massacrada, seja, fisicamente, pelas disputas de terra, seja, culturalmente, pela falta de valorização das suas tradições. Sob essa perspectiva, a possibilidade de desparecimento das línguas nativas configura-se como um desrespeito à história nacional. Dessa forma, esse cenário desafiador torna-se alvo de um legítimo debate.
Com efeito, importa salientar que, apesar da existência de mecanismos legais de proteção, como a Fundação Nacional do Índio(FUNAI), essa parcela do tecido social continua, sendo, assim, como no Brasil Colonial, sub valorizada pelos órgãos governamentais. Logo, a possível extinção das línguas nativas pode ser percebida como um retrocesso histórico-cultural, uma vez que a não preservação desse patrimônio imaterial pode implicar na compreensão distorcida ou limitada da formação histórica brasileira. Nesse sentido, torna-se evidente a improficuidade estatal no tocante à criação de políticas públicas efetivas na mitigação desse problema.
Acresça-se, ainda, que a intensificação do processo de globalização pós Revolução Técnico-Científica, contribui, gradativamente, com esse desaparecimento, tendo em vista que grande parte da juventude indígena, a partir do contato com distintas realidades, acaba valorizando outras manifestações culturais em detrimento das suas tradições, corroborando com o processo de genocídio dos dialetos e costumes autóctones. Por conseguinte, faz-se essencial uma atuação mais arrojada das instituições formadoras de opinião no tocante à perpetuação desse patrimônio cultural.
Destarte, com o fito de evitar o sumiço das línguas indígenas e preservar as origens da Nação, urge que o Ministério da Educação em parceria com os chefes indígenas, ampliem, mediante, oficinas literárias, palestras e incentivos financeiros, o engajamento das novas gerações com a difusão de suas raízes linguísticas. Ademais, é mister que a mídia, socialmente, engajada, vide campanhas publicitárias mediadas por influenciadores, ratifiquem a importância da preservação da identidade cultural brasileira.