A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/10/2020

No Brasil hodierno, pouco se debate sobre a extinção de línguas indígenas. Decerto, o eurocentrismo enraizado nos costumes brasileiros, somado à ineficiência estatal em garantir a continuidade da cultura indígena são impulsionadores do problema. Assim, cabe ao Governo a intensificação de medidas para solucionar esse infortúnio.

Precipuamente, pode-se afirmar que a valorização da cultura estrangeira em detrimento da cultura brasileira contribui para esse problema. Nesse contexto, a desvalorização da cultura local se iniciou com a colonização portuguesa, a qual subjugou a cultura indígena já existente no território como inferior, por não seguir os padrões europeus da época. Certamente, a imposição da língua colonizadora aos índios, por meio da catequese, fez com que inúmeras línguas e dialetos fossem esquecidos. Como resultado dessa colonização, o povo brasileiro criou o costume de valorizar a cultura estrangeira e, por conseguinte, desvalorar a cultura nativa. Logo, a sociedade atual é marcada por escolas que têm o ensino de língua estrangeira como obrigatório, enquanto as línguas indígenas não são lembradas. Desse modo, a continuidade de diversos dialetos indígenas se torna inconcebível, ameaçando, assim, a preservação desse patrimônio histórico imaterial.

Ademais, a carência de políticas públicas que assegurem os direitos indígenas também contribui para essa situação. Apesar de a Constituição de 1988 reconhecer no Artigo 231 a importância das línguas indígenas e estabelecer como dever do estado sua proteção, há ineficácia da parte governo em proteger o território dos povos nativos, o que afeta as populações indígenas e, por conseguinte, compromete a base de falantes, o que torna várias línguas propensas a extinção. Dessa forma, a diversidade linguística brasileira se encontra ameaçada devido ao descaso estatal na garantia dos direitos dos nativos.

Diante disso, torna-se evidente a necessidade do debate sobre a extinção de línguas indígenas. Portanto, urge ao Governo, por meio do direcionamento de verbas, a inclusão de algumas dessas línguas na grade curricular do ensino fundamental e do ensino médio, com o fito de valorizar os dialetos e mitigar o processo de extinção desses idiomas. Além disso, é dever do Estado, também por meio do direcionamento de verbas, a realização de políticas públicas eficientes, no que diz respeito à proteção do território indígenas, para, assim, assegurar a preservação da população nativa e consequentemente a base da diversidade  linguística brasileira, atuando o processo de extinção de línguas nativas.