A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Em 1500 os navios portugueses desembarcavam no litoral brasileiro, quando então, houve o encontro entre duas culturas distintas, a europeia e a indígena. Todavia, a observação crítica dos fatos históricos revela que os lusitanos já tinham seus objetivos traçados. Além disso, colonizaram os indígenas e iniciaram aqui um processo de ‘‘civilização’’, no qual impuseram aos nativos a religião cristã, novos costumes e sobretudo uma nova língua a ser falada. Este conjunto de ações foi responsável por extinguir grande parte da identidade dos índios, que hoje presenciam a quase extinção de suas línguas originais.
Diante da realidade atual, em pandemia do Covid-19, é inegável a fragilidade na qual se encontram as comunidades indígenas, localizadas majoritariamente no Norte do país. Estas praticamente não recebem atendimento médico, tanto pela falta de iniciativas por parte do governo, quanto pela ideia estereotipada presente na sociedade, em que o índio é visto como um ser primitivo e violento, de tal forma que muitos médicos se recusam a prestar seus serviços. Em consequência disto, nota-se um aumento constante do número de óbitos, decorrente do coronavírus, de anciões indígenas - fato noticiado portal de comunicação da Globo, o G1. Levando em consideração que são estes anciões que transmitem, oralmente, as tradições e língua de suas tribos, aquelas correm grandes riscos de extinção, o que dilata a preocupação com a manutenção da identidade indígena no Brasil.
Atualmente, observa-se que, as lutas indígenas para se firmarem enquanto povo e garantirem seus direitos, estão longe de acabar. Pode-se mencionar, por exemplo, a questão indígena em volta da demarcação de suas terras, que frequentemente, são palco para disputas e invasões por parte, principalmente, dos produtores rurais, estes alegam necessitar da território para fins produtivos, como é o caso da prática da agricultura. No entanto, o Art. 231 da Constituição Federal reconhece como direito do índio sua organização social e cultura sobre a terra que, tradicionalmente, ocupam. Tendo em vista que, a terra em que vive é indispensável para assegurar a cultura e a língua, sendo esta repassada por meio oral e usada unicamente nas comunidades indígenas, é imprescindível a regulamentação das leis e o fortalecimento da segurança nas demarcações impostas.
Por conseguinte, é indispensável a seguridade da cultura indígena no Brasil. Torna-se necessária, por parte do Ministério da Agricultura, a ampliação de leis de demarcação das terras, para que nelas haja a conservação dos costumes, o que resultará na transmissão dos mesmos para próximas gerações. Outrossim, é fundamental que o Funai junto ao Ministério da Saúde possibilitem aos índios atendimento médico, com intuito de assegurar e preservar, além da cultura, a vida nas comunidades indígenas.