A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 03/11/2020
Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que, o tecido cultural brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a extinção das línguas indígenas no Brasil. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo do Estado quanto do silenciamento pessoal .
Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse político do Estado é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para preservar os dialetos indígenas no país. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país. Nessa égide, é visível que tal órgão, intitulado para promover a interação de todas as comunidades nos núcleos educacionais, ignora ações que poderiam realmente fomentar a preservação das línguas indígenas. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador da exclusão dos idiomas nativos. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente .
É vital salientar, ainda, em segundo plano, que a extinção linguística dos povos indígenas encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. sob essa óptica, para que haja a preservação dos vocábulos aborígenes, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento da Unesco, em 2019, 190 idiomas indígenas estão em extinção. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Ministério da Educação, por meio de ações: palestras, divulgações em redes sociais, propagandas televisíveis e bate-papos nos centros escolares, orientar toda parcela populacional escolar sobre a importância da preservação linguística dos índios, para que, de tal forma, tais linguagens possam ser trabalhadas na população brasileira. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação .