A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/10/2020
A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que observa-se na realidade contemporânea é oposto do que o autor prega, uma vez que o Brasil passa por um rápido processo de extinção de suas línguas indígenas. Nesse sentido, é fundamental analisar as raízes históricas dessa conjuntura, além da influência da desvalorização do idiomas nativos por parte das instituições de ensino.
Em primeira análise, é lúcido afirmar que o desaparecimento das línguas indígenas caracteriza-se como uma patologia social influenciada diretamente pela aculturação imposta pelos colonizadores. Nesse viés, é válido frisar que tal processo iniciou-se durante o século XVI, por meio da chegada da ordem de padres jesuítas com o propósito de catequizar os povos originários, o que os obrigou a transfigurar seu comportamento conforme os dogmas cristãos. Com isso, depreende-se que o curso histórico contribuiu intensamente para a gradual extinção da variedade linguística e para a predominância da linguagem do colonizador, o que prejudicou o sentimento de identidade e pertencimento por parte dos índios, privados de exercer sua cultura pela fala.
Em segunda análise, é necessário citar que uma das principais causas dessa problemática é a ausência de diálogo nos colégios acerca da pluralidade de línguas em território tupiniquim, pois ocorre uma desvalorização da cultura indígena no geral, visto que, até mesmo nas aulas de história, o processo de colonização é tratado como uma descoberta e o papel do índio como cidadão é ignorado. Sob tal óptica, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Dessa maneira, nota-se que a falta de discussão sobre a diversidade linguística nativa produz nos estudantes o desconhecimento em relação a esse complexo cultural, o que reduz o interesse em aprender tais idiomas e repassá-los para gerações futuras, o que diminui o número de falantes a longo prazo.
Por conseguinte, medidas são necessárias para impedir a extinção das línguas indígenas no Brasil. Assim, é fundamental que o Ministério da Educação, juntamente à Funai, distribua, por meio de campanhas nas escolas, cartilhas e outros materiais informativos, que abordem como tema principal a diversidade dos idiomas nativos, bem como suas expressões populares e a cultura de seus falantes, a fim de promover o aprendizado e a reflexão nos estudantes. Dessa forma, será possível que o universo criado por Thomas More seja mais palpável.