A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 28/10/2020

Na obra “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, Policarpo, o protagonista, usa de sua influência para tentar convencer a elite carioca de que o Tupi-Guarani deveria ser a língua oficial do Brasil. No entanto, a rejeição da ideia por parte da alta sociedade do Rio de Janeiro revela a desvalorização e o risco de extinção que os povos indígenas, suas culturas e seus idiomas sofrem até os dias de hoje. Esta situação é motivada pelo desinteresse do governo no ensino de línguas indígenas em ambientes escolares, assim como pela não reparação dos danos historicamente sofridos por essas comunidades.

Primeiramente, é necessário dizer que desde o início do ano de 2020, o ensino da língua inglesa se tornou obrigatório em todas as escolas de ensino fundamental em território brasileiro, como reportou o jornal O Globo. A necessidade do aprendizado de outras línguas se torna cada vez mais gritante a medida em que o mundo acompanha um processo intenso de globalização desde o século XIX. Entretanto, é visível que não existem leis que favoreçam ou concedam a mesma obrigatoriedade no ensino de línguas nativas no ambiente escolar, apesar das comunidades indígenas somarem o total de sete mil em todo o país, como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Portanto, é essencial que a legislação brasileira inclua políticas de visibilidade para a variada extensão de línguas indígenas dentro do ensino básico no Brasil.

Ademais, vale recordar que com o início da colonização brasileira, no século XVI, os Índios foram vítimas de uma verdadeira perseguição, catequização forçada e genocídios em prol da perseverança do governo português. Estes fatos, somados ao de que nunca houveram projetos de reparação destes danos, contribuíram para que os idiomas indígenas fossem marginalizados da forma que são hoje. Um verdadeiro exemplo de que é possível haver uma retratação da sociedade para com seus povos nativos, é a Nova Zelândia, país hoje que se destaca pela valorização da população Maori, como afirma o site do Ministério do Turismo do país. Logo, se vê a necessidade de que o Brasil adote políticas similares para que assim possa haver uma equidade para todas as culturas que resistem no país.

Em suma, para que seja firmado um compromisso de resgate das línguas nativas, deve ser implementada uma legislação que promova a abertura cultural para que os idiomas indígenas se tornem parte do cotidiano brasileiro, através do ensino nas escolas e da reeducação popular. Esta ação, deve ser tomada pela Câmara dos Deputados, em parceria com institutos de proteção aos Índios, como a FUNAI, de modo em que haja comunicação entre o poder público e esses povos. Desta forma, será possível garantir que as culturas pioneiras no Brasil não sejam extintas e que possa haver um futuro de diversidade nesta nação.