A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 31/10/2020

A obra de Lima Barreto" O triste fim de Policarpo Quaresma’’ retrata um patriota que, com o intuito de preserva a identidade do Brasil, lutou para oficializar a lingua Tupi Guarani, entretanto, foi desprezado pela comunidade vigente. Fora da ficção, também percebe-se que esse desestímulo da população em manter os idiomas que construiram a brasilidade acarreta a extinção de linguas indígenas. Dessa forma, é imprescindível analisar como o crescimento da globalização e o baixo número de projetos que auxiliem a preservar as oralidades nativas têm potencializado a perda cultural do país, refletindo assim um cenário retrógrado.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a admissão das tecnologias pelos índios tem diminuído a propagação do ensino dos dialetos nas tribos. Isso porque a internet e a televisão utilizam somente o português como meio de comunicação. Sendo assim, o tempo que outrora era usado para o diálogo e o ensino das linguas dos ancestrais esta sendo substituído pelo consumo das mídias, o que inviabiliza este antigo costume, além de padronizar a cultura no Brasil. Segundo o jornal Carta capital, a globalização mantém o legado das colonizações de aculturar povos e , portanto, é um fator importante na extinção de idiomas em massa.

Em segundo lugar, cabe frizar que a formulação de políticas linguísticas é inevitável para a preservação de linguas indígenas. Entretanto, apesar destas serem consideradas patrimônio imaterial do Brasil, pela Unesco, observa-se a existência de  poucos projetos traçados para tal objetivo. Nesse sentido, ao se observar o programa Extensão 48 da Unicamp, nas aldeias paulistas, percebe-se esta relevância, visto que este proporciona não só a vitalidade oral com a trasmissão entre gerações, como também a documentação para a conservação da memória . Logo, caso todas as universidades públicas investisse em projetos como este a perda cultural no país poderá diminuir de forma significativa.

Em suma, para mitigar a extinção de idiomas indígenas no Brasil, cabe a Receita Federal disponibilizar parte dos impostos arrecadados a Ministério da Educação para que este possa investir em programas extensivos nas univeridades federais de cada estado. Sob tal ótica, os graduandos em letras, orientados pelos professores, deverão realizar dinâmicas nas aldeias, junto aos anciões indígenas, com o fito de ensinar os dialetos e suas grafias aos jovens e crianças para preservar tais linguas e a identidade nacional. Dessa forma, certamente, esse cenário retrógrado será revertido no país.