A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/11/2020

O Brasil é, de fato, um país miscigenado, rico em diversidade cultural e linguística. Entretanto, apesar de tanta variedade, dia após dia a população e os governantes demonstram pouco interesse na luta pela conservação das joias mais preciosas que foram descobertas durante a colonização: as línguas indígenas. Essa realidade aponta a dificuldade de toda a nação em olhar para o passado, compreendê-lo e valorizá-lo.

Primeiramente, é preciso compreender como os eventos históricos afetaram os povos nativos. A chegada dos colonizadores, além de representar o primeiro contato dos índios com o resto do mundo, também significou a condenação de todo patrimônio nativo como sendo inferior e pagão quando comparado ao dos recém chegados. Essa linha de raciocínio serviu como justificativa para caçar, matar, escravizar e catequiza-los. Com a morte de cada índio, morria com ele uma parte da língua. Estima-se que anteriormente à chegada dos europeus ao Brasil haviam 1.175 línguas indígenas. Desde então, 85% das línguas originárias desapareceram. Esses são números alarmantes.

Como consequência da diminuição do número de indígenas e com a implantação de ideais eurocêntricos na arte, literatura, educação e cinema, se constituiu uma nação pouco preocupada com o desafio mencionado. A cerca disso Luciana Storto, professora do Departamento de Linguística da FFLCH-USP, afirmou em entrevista: “A urgência na preservação das línguas indígenas existe pela possibilidade de, em cinquenta anos, não existirem mais falantes. Eu cerca de uma geração, tudo pode se perder.” Assim, fica evidente que a indiferença e a desvalorização são a principal ameaça que preocupa os falantes remanescentes e aqueles que buscam proteger esse patrimônio tão importante do Brasil.

Portanto medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe primeiramente ao Ministério da Educação criar, por meio de projetos executados por todo o corpo docente, criar uma semana no ano letivo dedicada especialmente a exploração da cultura indígena na sua forma mais pura, fazendo excursões a aldeias e museus do índio e explorando o vocabulário em sala de aula pra que as próximas gerações tenham a consciência da preciosidade desse tipo de literatura. Ademais, como afirma o linguista e professor do IEL-Unicamp Angel Corbera Mori, “é importante que o Estado brasileiro proteja os territórios indígenas para o autodesenvolvimento socioeconômico e para que cada povo continue desenvolvendo sua língua e seus costumes ancestrais". Dessa forma haverá conservação dos povos e consequentemente das línguas indígenas.