A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 31/10/2020

Em 1549, com a vinda dos jesuítas, iniciou-se o processo de colonização dos índios, no Brasil. Nesse viés, a cultura e os costumes indígenas que eram passados de uma geração para outra, foram sendo esfacelados pelas novas crenças e hábitos estrangeiros que foram implementados. Hodiernamente, com uma devida semelhança com o acontecimento histórico supramencionado, transmitir a língua indígena para outras gerações é fundamental, pois isso irá diminuir o risco de extinção, além disso acontece uma diminuição drástica no número de idiomas aborígines no Brasil

Mormente, decorre com pouca frequência a passagem de um dialeto indígena para os seus descendentes familiares, o que culmina na extinção de alguns falares. Nesse sentido, segundo Aline Ferreira, que é gestora do Museu do Índio, o grande desafio é fazer com que aconteça uma propagação da cultura e da língua, por parte dos índios mais velhos aos mais jovens. Analogamente, em pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UNB), foi constatado que apenas 10% dos idiomas indígenas são passados para as gerações sucessoras. Logo, frente ao depoimento e ao dado supracitado, nota-se que a necessidade de transmitir os falares dos índios para os seus descentes é emergencial, pois apenas com um pequeno percentual sendo passado, aumenta a probabilidade de acontecer a extinção de alguns falares aborígines.

Ademais, ocorre uma queda exponencial de dialetos autóctones no Brasil. Sob esse prisma, de acordo com um estudo feito pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), existiam mais de mil e quinhentas línguas indígenas na época do descobrimento do Brasil, restam hoje menos de duzentas, das quais aproximadamente cem são faladas por menos de mil pessoas. Assim, para amenizar o entrave, em 2015, no Rio de janeiro, com o auxílio de linguistas e artistas, houve uma exposição que tinha como objetivo resgatar quinze dialetos aborígines, alguns já haviam sido até extintos. Com isso, diante do dado e do acontecido aludido, transparece o estado crítico em que os falares dos índios encontram-se, situação a qual pode agravar-se e tomar proporções mais sérias, ceifando de maneira definitiva os idiomas aborígines.

Portanto, ações fazem-se necessárias para mitigar a probabilidade da extinção dos dialetos dos índios. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Cidadania, por meio de patrocínio estatal, vá até diversas aldeias indígenas e grave os falares de cada uma, incluindo as características do idioma como: as palavras, a gramática e entre outros atributos dos dialetos. Dessa forma, existirá um acervo que irá inibir e evitar o estiolamento da língua dos autóctones. Somente assim, o problema será sanado, evitando uma alteração cultural semelhante a de 1549.