A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Consoante ao livro Ética a Nicômaco, do filósofo grego Aristóteles, a finalidade da ciência política é garantir a felicidade, o bem comum e a justiça entre os homens. Nessa perspectiva, a extinção de línguas indígenas no Brasil evidencia a deturpação do conceito aristotélico, haja vista que a diversidade de idiomas indígenas é reconhecido como um direito constitucional. Sendo assim, percebe-se que a problemática possui raízes amargas no país, seja pela construção eurocêntrica do país ou pela falta de valorização dos povos indígenas.

Deve-se destacar de início que a colonização do Brasil foi eurocêntrica e a cultura indígena desde os primórdios ameaçada. Nesse sentido, a ONU (Organização das Nações Unidas) declara que os indígenas tem todos os direitos humanos e de liberdade garantidos. No entanto, nota-se que no Brasil mais de 80% das línguas indígenas já estão extintas segundo a UNESCO, agência especializada em educação, ciência e cultura, o que rompe com os direitos de isonomia. Dessa forma, é inaceitável que a cultura e linguagem indígena continue se esvaindo.

Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pela desvalorização do índio. No decorrer da formação do Estado brasileiro a liberdade, cultura, moradia e a própria vida, foram sequestrados dos Índios. Isso, fica ainda mais evidente quando nota-se o genocídio dos nativos do Brasil. Segundo a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) mais de 70% da população também já foi extinta. Porém, muito mais que cultura e idioma estão em perigo, vidas correm risco, o que torna o problema ainda mais grave.

Infere-se, portanto, algo precisa ser feito com urgência. O Governo, por meio da delimitação de Terras, deve demarcar e proteger o território indígena, para que os índios sejam autossuficientes e preservem a  sua cultura. Nesse sentido, o intuito de tal ação é que o idioma local seja falado e passado para as futuras gerações. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado.