A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 05/11/2020
Um indígena em mim
Segundo fontes da Unesco, o Brasil já possui 12 línguas indígenas extintas e outras dezenas com riscos de desaparecer. O cenário nacional é de constante desvalorização das culturas dos povos nativos e, por consequência, a expectativa é de um iminente aumento da lista de extinções.
Sabe-se que o Brasil, sob o domínio dos colonizadores portugueses, passou por séculos de atividades exploratórias de riquezas naturais, não havendo, portanto, desde os primórdios de sua descoberta, pouco ou nenhum zelo na manutenção da cultura indígena. Ainda que haja registros históricos e literários da atuação dos Jesuítas na proteção dos nativos, tais ações não tinham força de resistência frente às decisões das Metrópoles que visavam apenas a exploração e enriquecimento. Ademais, o trabalho dos Jesuítas, como por exemplo do Pe. Vieira, tinha como foco principal apenas a catequização desse povo.
Portanto, o convívio com o homem branco, a imposição religiosa e o foco do colonizador na exploração foram algumas raízes para a queda de valor dessa população, aumentando o desuso de suas linguagens. Todavia, é importante citar que houve também severo desinteresse da nova população que se formava no Brasil, que embora fosse miscigenada, não desenvolveu mecanismos fortes de preservação dos costumes de seus primeiros habitantes.
Isto posto, é necessário criar contínuos programas de divulgação desta cultura e línguas. Os professores terão papel transformador neste plano, já que atuando diretamente com ensino, poderão plantar a gênese dessa mudança, e para Goethe “Nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação.” Outra ferramenta são decretos do Poder Legislativo que garanta a posse dos territórios às aldeias existentes, para que assim, presentes na natureza, as comunidades indígenas possam continuar a viver próximas de suas raízes facilitando suas perpetuações.