A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o personagem principal, Policarpo, é considerado um patriota e, por isso, propõe que a língua tupi seja reconhecida como a língua nacional. Entretanto, mesmo com seu entusiasmo, as ideias de Policarpo são criticadas e debochadas pela comunidade. Nesse sentido, o reconhecimento da cultura indígena, em especial as suas línguas, ainda é minoritário e encara questões, como o desconhecimento e a expansão do agronegócio, o que deve ser verificado.
Em primeira análise, o desconhecimento da cultura indígena afeta de forma direta na extinção das suas línguas. Geralmente, quando estudado sobre os índios, não há um aprofundamento do tema, o que gera uma visão superficial e equivocada sobre os diferentes grupos e línguas. Tal realidade é histórica no Brasil e foi amplamente disseminada durante a colonização, no qual os índios eram forçados a falarem o português em vez das suas línguas. Segundo a Unesco, cerca de 190 línguas indígenas estão em risco de extinção, o que demonstra o desconhecimento social.
Outrossim, a expansão do agronegócio é um fator a ser estudado. Por se tratar de um mercado privilegiado no país, muitos agricultores não respeitam as reservas indígenas e as invadem para o benefício do seu negócio. Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de janeiro a agosto de 2020, 148 focos de incêndio foram detectados em terras indígenas, o que contribui para o desaparecimento da língua, visto que a comunidade é desintegrada pela ação do agronegócio nas reservas.
Portanto, o Ministério da Agricultura, em parceria com as secretarias de segurança, deve fiscalizar as reservas indígenas no país, por intermédio de câmeras, reforço policial e imagem de satélites em locais estratégicos, a fim de gerar segurança aos índios, reduzir a ação ilegal dos agricultores e preservar a língua e toda a cultura indígena. Ademais, o Ministério da Educação, em conjunto com ONGs voltadas para questões indígenas, deve debater o tema nas escolas, por meio do fornecimento de cartilhas e palestras sobre a diversidade indígena, estimulando o senso crítico social.