A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 06/11/2020

O Brasil é um país multicultural, com riqueza de dialetos, danças e diversas formas de linguagem e expressão. Entretanto, há uma forte “síndrome de vira-lata”, que evidencia a desvalorização que os brasileiros tem em relação às diversas diretrizes de sua nacionalidade perante à cultura internacional. Dessa forma, a sociedade não é incentivada a aprender dialetos indígenas ou a própria Língua Brasileira de Sinais - a segunda língua oficial do Brasil -, o que ao longo do tempo, desencadeia extinção, como as 90% das línguas indígenas que já sumiram ao longo da história, uma perca inestimável à Língua Portuguesa, que cada vez mais ganha neologismos e naturalização de palavras em inglês, e perde suas raízes semânticas.

Desde o preconceito linguístico até a desvalorização da figura indígena, os brasileiros e a própria globalização foram responsáveis pela atual situação do nativo no país: segregados, ameaçados por um sistema capitalista em expansão, com políticas flexíveis em demarcação de terras, e sozinhos na luta por seus direitos. Consequentemente, diante desse cenário, é natural que muitos indígenas abandonem suas aldeias e vão para a cidade, onde são discriminados pela fala, cor e comportamento. Segundo o portal  G1, os indígenas culpam o preconceito pelo aumento do número de suicídios, alegando que mesmo com a capacitação, são sempre os últimos escolhidos em vagas de empregos, e que não há incentivo dentro da escola para a valorização de seus costumes.

Diante dessa desvalorização da cultura indígena, o livro “Triste fim de Policarpo Quaresma” mostra a luta para que fosse implantado nas escolas o ensino da língua tupi-guarani, para preservar esse traço de nacionalidade que é necessário que um país tão grande e forte em povoamento possua. Tal circunstância ocorre em outros países da América Latina, como o Paraguai e o Peru, que conciliam o crescimento de sua nação com a apreciação de todas as suas diferenças étnicas. Infelizmente, no Brasil, nem a sua segunda língua oficial -LIBRAS- é incentivada nas escolas em comparação ao inglês e ao espanhol, o que mostra como os alunos são capacitados para deixar o país, o que fortalece a tese da síndrome de vira-lata e torna os embates à questão da “fuga de cérebros” uma hipocrisia, porque tal aspecto faz parte da formação do aluno desde seus anos elementares.

Em suma, é necessário que haja uma política adequada de apreciação da cultura indígena no Brasil, principalmente nas escolas e no trabalho, para que tenham acesso justo à altos cargos trabalhistas, e para que sua cultura seja enfim vista com bons olhos. Ademais, as políticas seriam feitas a partir de vídeos de imersão à cultura e aulas abertas para toda a sociedade, a fim de buscar o fim dos preconceitos, proporcionando um estilo de vida adequado aos fundadores da nacionalidade no Brasil.