A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Em 1500, os portugueses chegavam ao Brasil e, desde então, os já residentes começaram a enfrentar a imposição de uma cultura eurocêntrica em vários aspectos. Com a linguagem não foi diferente, a imposição da unificação da linguagem de vários povos apenas para o português fez com que a identidade cultural dos dialetos e línguas indígenas fossem, em sua maioria, extintos ou ameaçados de extinção. Com isso, os desafios para manter esses dialetos são a falta de incentivo para que o mesmo seja passado para as futuras gerações e a falta de conhecimento popular sobre o que é e a quantidade que ainda existe.

Com isso, já na carta de Pero Vaz de Caminha, os indígenas já são vistos de forma estereotipada, com visão eurocêntrica sobre sua aparência e costumes, então, com a colonização, também tiveram suas línguas resumidas ao tupi, na qual ainda se preserva culturalmente. No entanto, tem-se os dados do site Povos Indígenas no Brasil, de que mais de 160 línguas e dialetos ainda existem e são falados, mesmo depois de se oficializar o português, mas que não fazem parte do material de estudos de escolas, nem mesmo o interesse entre a população. Assim, reforça-se cada vez mais os estereótipos e as outras línguas são esquecidas.

Também, há a questão de que, por já saberem que o português é o idioma oficial e será necessário, mesmo que para poucas coisas, a linguagem e dialetos da tribo não são passados para as gerações futuras. De acordo com o linguista Thiago Chacon, a diminuição da transmissão de conhecimento é um dos principais fatores que contribuem para essa extinção. Dessa forma, há o problema de manutenção dessas línguas já que a grande variedade vai se perdendo e morrendo juntamente com os mais velhos.

Para isso, o Ministério da Educação deve incluir na obrigatoriedade escolar o conteúdo sobre povos indígenas e suas diversidades, enfatizando a linguística e criando o interesse desde crianças para a preservação dos idiomas, além de ONGs para orientar as comunidades a manterem o seu dialeto vivo através do ensino do mesmo além do português, para que mais falantes sejam formados e consigam repassar a cultura. Também, deve incluir sites, aplicativos e acervos para que se tenha o contato da população geral com essa diversidade, tendo a orientação de como aprender desde escritas até pronúncia, contando com os líderes das tribos para a produção, além de projetos de incentivo para a busca dos mesmos e, com isso, a manutenção desses dialetos e da variedade linguística indígena no Brasil.