A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/11/2020
A extinção de uma língua é comparável a jogar uma bomba no museu do Louvre, pois falar de um idioma é falar de cultura, mas não pensando apenas no contexto artístico da palavra, mas sim porque é através da comunicação idiomática que uma sociedade consegue de expressar tudo que existe em seu meio, desde astronomia à música. Portanto, tratar desse assunto é expor tudo que um povo tem a oferecer, mas muitas pessoas não entendem o peso disso e por isso o Brasil é agora o terceiro país com maior número de línguas ameaçadas.
Claro que devemos analisar a etiologia da extinção das línguas indígenas, pois não é um problema apenas contemporâneo, mas sim causado desde a época em que os Portugueses invadiram as terras brasileiras, porque para dominar um território “recém-descoberto”, era necessário que a coroa portuguesa dominasse os povos que já residiam nesse país, e uma das maneiras de subjugá-los, era extinguindo o idioma dessas comunidades e substituí-los pelo português. Assim, o português foi decretado como língua oficial do Brasil, proibindo comunicações em outras línguas. A perseguição continuou por séculos, na Era Vargas, o português era obrigatório nas escolas, e quem desrespeitasse sofreria punições. Apenas no ano de 1988, com uma nova constituição brasileira, se teve um aumento no empenho de proteger e valorizar as línguas nativas.
O número de idiomas em risco pode ser ainda maior do que o apontado pela Unesco, pois existem línguas que não chegaram a ser estudadas, outras se propagaram apenas oralmente e diversas outras situações. Existe um casal, em Rondônia, que são os dois últimos falantes ativos da língua Warazu, a línguas deles, por exemplo, não estava incluso no mapa.
Nas escolas indígenas, a alfabetização deve ser bilíngue, ou seja, na teoria todos deveriam dominar tanto o português quanto a língua materna da comunidade. Porém, em alguns casos, há uma limitação por conta da falta do domínio da língua que os professores possuem, assim, o ensino bilíngue acaba se encerrando ainda na educação fundamental.
No Brasil, há projetos de documentação e ensino das línguas indígenas do Brasil, porém, a maior responsabilidade é do governo, pois a proteção e a valorização dessas comunidades é necessário para conter os danos ao país que possui uma das culturas no contexto linguístico. Sendo assim, o governo deveria se preocupar na escolha do Ministro do Meio Ambiente e do Ministro da Educação, para que haja uma grande preservação nas áreas de mata, onde habitam os indígenas e também para que haja ensinos extracurriculares de diversas línguas indígenas, assim, as áreas das residências indígenas seriam mais preservadas e a cultura indígena seria inserida cada vez mais em nosso meio.