A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 09/11/2020
Uma das características mais marcantes da Primeira Geração da escola literária do Romantismo no Brasil é o indianismo, isto é, a valorização do índio. Todavia, na sociedade atual, nota-se o oposto - a cultura indígena é desvalorizada, o que resulta no crescente desaparecimento de idiomas nativos. Nessa ótica, é possível apontar a exacerbada valorização da cultura do colonizador europeu como o principal agravante da problemática em questão.
De início, é imperioso salientar que, no Brasil hodierno, observa-se um fenômeno de homogeneização e perda de identidade dos povos indígenas, em virtude da valorização excessiva da cultura proveniente dos colonizadores europeus na sociedade. Nesse contexto, é comum que crianças de famílias indígenas aprendam mais o português do que o seu idioma de origem. A título de ilustração, uma analogia pode ser feita com a série televisiva canadense “Anne with an E”, na qual a personagem Kakwet, uma jovem proveniente de um povoado indígena, é mais habituada a falar inglês, idioma do colonizador, do que o seu idioma nativo. Diante dessa situação, ocorre o eventual desaparecimento dos dialetos dos povos nativos brasileiros.
Sob esse âmbito, surgem como consequência dessa supervalorização da herança do colonizador europeu o preconceito e a visão eurocêntrica da história do país, os quais também configuram-se como impulsionadores do impasse. Nessa perspectiva, pode-se comprovar essa afirmação por meio da forma como a história do Brasil é ensinada nas escolas, como se o país só tivesse começado após a chegada dos portugueses, quando, na realidade, era habitado por inúmeros povos indígenas há muito mais tempo. Além disso, na maioria das instituições de ensino, não há ou há pouca menção da importância e da riqueza cultural dos povos nativos. Diante dessas questões, os jovens com descendência indígena tendem a se envergonhar ou a não compreender a importância cultural do seu povo, e não sentem vontade de aprender ou repassar o seu idioma nativo. Assim, os idiomas entram em desuso.
Infere-se, portanto, que a excessiva valorização da cultura europeia e do idioma português é o principal motivo do constante desaparecimento de dialetos indígenas no Brasil. Para amenizar o quadro atual, cabe ao Ministério da Educação mudar a visão que se tem sobre os povos nativos nas instituições de ensino, por meio da adesão de conteúdos que visem a esse objetivo na Base Comum Curricular, como História Indígena e Importância Cultural do Índio, com o objetivo de formar cidadãos que respeitem e honrem suas raízes culturais. Dessa forma, será possível combater o desaparecimento dos idiomas nativos e criar-se-á um país que valoriza o seu patrimônio cultural.