A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 10/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como o esquecimento de línguas indígenas na sociedade. Esse cenário antagônico é fruto tanto da não valorização dos povos nativos, seja no âmbito linguístico ou cultural, quanto da falta de empatia da sociedade em geral, a qual desconsidera a história dos povos indígenas na formação do Brasil.

Em abordagem inicial, vê-se que a ausência de valorização dos povos nativos por parte dos cidadãos corrobora para a extinção das línguas indígenas. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade, nota-se que o esquecimento da cultura dos crioulos configura-se como um problema, visto que tais povos carregam patrimônios culturais que não recebem o devido reconhecimento. Desse modo, o fato da sociedade não valorizar a cultura dos indígenas faz com que aumente o risco das gerações futuras não obterem contato com tais modos de falar, o que favorece o respectivo desaparecimento de tais línguas.

Além disso, a extinção da cultura indígena no âmbito linguístico é reflexo da falta de empatia da geração atual para com as minorias. Na obra “Modernidade Líquida”, o filosofo polonês Zygmunt Bauman defendeu que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a falta de empatia, pois para colocar-se no lugar do outro é necessário deixar de olhar apenas para si. Assim, fica claro que jovens/adolescentes em geral não possuem conhecimento acerca da cultura nativa, considerando a língua brasileira  única e superior quando comparada aos diversos modos de falar existentes na cultura do Brasil.

Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem preservar a herança linguística indígena. A priori, compete ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com os governos  estaduais/municipais, a elaboração de campanhas educativas que abordem sobre a cultura dos nativos e sua importância histórica. Simultaneamente, tais ações devem ser realizadas por meio de palestras na escolas públicas/privadas, com o intuito de manter latente a diversidade de línguas dos crioulos e preservar esses patrimônios imateriais. Feitas essas ações, é esperado um novo cenário da cultura indígena brasileira.