A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 10/11/2020
A partir de 1500, com a chegada dos portugueses no Brasil, deu-se início ao processo de colonização e, por conseguinte, a aculturação e a sobreposição da cultura indígena sobre a cultura indígena. Com isso, aspectos como dança, costumes e principalmente, as línguas vêm sendo deixadas de lado e em situações mais graves, até extintas. Sendo assim, torna-se relevante pensar na extinção das línguas indígenas no Brasil, visto que a falta de debate sobre o assunto aliada à insuficiência das práticas do Estado configuram impasses para a situação.
Em primeiro lugar, a falta de debate sobre as línguas e culturas indígenas é uma causa latente para a problemática. De acordo com o filósofo Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa perspectiva, é evidente a importância da discussão sobre o tema, seja nas escolas, seja nas mídias sociais, para o conhecimento e, consequentemente, respeito à cultura indígena e a identificação com esta. Dessa forma, a ausência de matérias no calendário escolar, de feiras ou conferências com a inserção dos indígenas, de compartilhamentos digitais de trabalhos e ações feitos nas comunidades contribuem para o afastamento do povo brasileiro de uma cultura pertencente ao país e base para a formação deste.
Em paralelo, a participação do Estado de maneira negligente apresenta-se como outra causa para a mazela. Segundo o filósofo Durkheim, sendo a sociedade um organismo, quando instituições presentes nesse grande organismo agem de forma inadequada, corroboram para anomia ou patologia social. Sob esse viés, a escassa participação ativa do Estado no combate ao desaparecimento de línguas indígenas colabora para a intensificação de situações de perigo de cerca de 200 línguas ainda existentes; uma vez que não favorece a capacitação de professores e instituições de ensino para a propagação de costumes indígenas, além de não envolver os alunos no contexto.
É imprescindível, portanto, medidas que auxiliem na valorização das línguas indígenas no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com as escolas a promoção de feiras e rodas de conversas extracurriculares. Isso pode ser feito por meio de palestras e conferências com líderes de movimentos indígenas, a fim de reinserir essas pessoas nos debates. Ademais, abrir esses eventos à sociedade por meio de transmissões ao vivo, com o intuito de gerar conhecimento, além de despertar no povo brasileiro, cada vez mais, o sentimento de reconhecimento e pertencimento dentro da comunidade indígena.