A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 12/11/2020

A língua oficial de um país é determinada, historicamente, pela nação colonizadora. Contudo, tal dominância afeta a existência dos povos que já residiam no território nacional, e, entre eles, a extinção das línguas indígenas. Assim, fica clara a necessidade de combate ao apagamento cultural dos dialetos nativos, bem como analisar as consequências desse entrave.

A priori, é válido evidenciar o esquecimento acerca dos dialetos nativos do Brasil. Nesse viés, a obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, evoca a necessidade de valorização da língua tupi, falada pelos indígenas anteriormente à chegada dos portugueses no Brasil, alegando a facilidade na pronúncia das palavras pelos nascidos no país. De forma análoga, o professor Eduardo Navarro, educador da Universidade de São Paulo (USP), pretende resgatar as raízes genuinamente brasileiras ao fundar a organização Tupi Aqui, que busca incluir o ensino do idioma raiz no currículo das escolas paulistas. Logo, percebe-se a existência do apagamento cultural e a necessidade de seu combate.

A posteriori, é válido compreender as consequências dessa problemática. Nesse sentido, o filósofo alemão Theodor Adorno destaca a importância da memória histórica para um país, já que esse legado constitui a sua identidade. Porém, com o advento da globalização, os traços culturais originais de um país são perdidos, tendo em vista a massificação nos padrões e no modo de vida da humanidade atualmente. Então, é preciso entender que os dialetos indígenas são aspectos importantes para a formação e a preservação da identidade cultural do Brasil.

Portanto, é perceptível a necessidade de medidas para reverter essa situação. Para que isso seja possível, é preciso que o Poder Legislativo na figura do Congresso Nacional crie um Projeto de Lei (PL) que objetive a preservação dos grupos indígenas com ênfase no resguardo dos dialetos nativos. Além disso, o Ministério da Educação poderia incluir na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por intermédio de leis de incentivo, a inserção de aulas de idiomas indígenas, para que assim os estudantes tivessem contato com a língua raiz e viessem a desenvolver uma postura de defesa a esse patrimônio imaterial. Dessa forma, análogo à obra de Lima Barreto, os códigos autóctones serão estabelecidos na sociedade, saindo do risco de desaparecimento.