A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Em 1500, quando o Brasil foi descoberto, a população indígena nacional teve seu primeiro contato com outra nacionalidade. Nesse encontro, portugueses e nativos já haviam percebido que eles tinham muitas diferenças. A partir desse momento, o país começou a receber povos distintos, os quais se uniram até a formação de um novo protótipo brasileiro: o diverso. No entanto, a desigualdade entre os vários setores da sociedade passou a crescer e causar o fim de muitos grupos. Nesse contexto, a cultura indígena foi bastante prejudicada, o que ocasionou, entre outras perdas, a extinção de seus dialetos. Tal problemática se faz presente por raízes ideológicas e populacionais.

Em primeiro lugar, é importante destacar a persistência da ideia de que determinadas etnias são superiores a outras. Assim, ao descobrir a vida indígena rudimentar, o europeu, com estudos mais avançados e o controle de instrumentos que facilitavam a vida, passou a acreditar em sua supremacia. Esse fato gerou desprezo pelo diferente e uma série de mudanças entre as quais estava o ensino do português pelos jesuítas. Como consequência, o idioma aborígene inicial foi cada vez menos usado ao longo da gerações. Nesse viés, o sociólogo Darcy Ribeiro concluiu em seus estudos que os autóctones haviam se transfigurado, sendo impulsionados a integrar-se totalmente ao povo dominante.

Além disso, ainda no contexto do povoamento do Brasil, existe a ocorrência de genocídios contra indígenas. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), essa população já teve uma queda de 70% em relação ao seu número original de indivíduos. Dessa forma, há também o desaparecimento de sua cultura. Percebe-se, pois, uma quebra da imagem de nação variada e acolhedora, já que as características populacionais inicias são desprezadas e esquecidas à medida em que ocorre a assimilação do estrangeiro.

Observa-se, portanto, que fatores relacionados a ideias difundidas socialmente e à realidade dos indígenas dificulta a resistência das línguas oficiais do país. Dessa maneira, medidas são necessárias. É preciso que haja a união entre a mídia e a escola, principais influenciadoras de massas, para que motivem as pessoas a conservar a cultura pátria. Isso deve ser feito por meio do fornecimento de dados e informações que possibilitem aos cidadãos um maior contato com a identidade brasileira, a fim de que eles desenvolvam maior interesse para conhecer, valorizar e preservar as características da nação. Somente com essas atitudes será possível frear a extinção de dialetos indígenas no Brasil.