A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/11/2020

Nos anos 40 do século passado, os irmãos Villas-Bôas embrenham-se nas matas desconhecidas do Roncador-Xingu em ambicioso processo de interiorização do Brasil, utilizando como meio as próprias línguas dos índios. Ali, encontram nações – famílias jê, karib, aruak e tupi-guarani - com as línguas tradicionais preservadas na maior parte. Na atualidade, esse patrimônio cultural encontra-se ameaçado, devido principalmente a pressão da língua nacional dominante e à falta de atenção do Estado.

Inicialmente, uma dificuldade para preservação desse patrimônio linguístico acontece na escolarização. Segundo a linguística Luciana Storto, na escola, as crianças indígenas aprendem, predominantemente, a língua portuguesa. Em Rondônia, por exemplo, 65% das línguas indígenas não estão sendo mais usadas pelas crianças índias. Fato que é tão grave quanto o descuido do Estado, apenas mais ameaçador.

Por outro lado, a internet, o rádio e a televisão realçam a língua do colonizador e negligenciam a língua dos índios. De acordo com a FUNAI - Fundação Nacional do Índio,  em 2019, no Alto Xingu havia cerca de 50 línguas na beira da extinção. Consoante Noam Chomsky, a perda de uma língua significa perder os limites das possibilidades linguísticas de toda a humanidade. A frase do célebre linguista mostra que, nesse sentido, a perda linguística de 50 nações não é, apenas, uma catástrofe local.

Dessa forma, para preservar as línguas nativas, o Ministério da Educação, em parceria com a FUNAI e com os departamentos de Antropologia, Comunicação e Informática das Universidades Federais, devem criar uma plataforma de dados contendo a diversidade linguística no Brasil, com acesso universal. Simultaneamente, a Rede Nacional de Rádio da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação – deve produzir, nas diversas línguas indígenas,  conteúdo para emissoras de todo o País, tendo como linha  editorial a prestação de serviços sobre cidadania, saúde e educação, a essas Nações. Assim, com a difusão sistemática desses programas,  a vitalidade das línguas indígenas serão melhor preservadas.