A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 15/11/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de valorização das línguas indígenas apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do governo, quanto da falta de conhecimento dos brasileiros sobre a diversidade dos povos indígenas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é fulcral pontuar que a perda de identidade cultural deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, em preservar o estilo de vida desse povo que acabam aderindo aos costumes de outras culturas para adentrar no mercado de trabalho e âmbito social, se afastando de seu idioma materno. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a baixa recorrência do assunto na grade escolar como promotor do problema. De acordo com o IBGE encontramos no território brasileiro 256 povos, falantes de mais de 150 línguas diferentes. Partindo desse pressuposto, a falta de noção sobre a diversidade se dá pelo modo precário como a temática vem sido abordada nas escolas. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de conhecimento contribui para a perpetuação quadro.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o desaparecimento desses idiomas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do governo, será revertido no fornecimento de recursos e suporte, por meio da melhoria da educação das regiões em risco, para que possam registrar e passar adiante suas tradições, aumentando valorização e possibilitando novos empregos sem abandonarem suas culturas, e também a maior abordagem da importância indígena para história do país em escolas de todo o Brasil. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da extinção das línguas nativas, e a coletividade alcançará a Utopia de More.