A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 16/11/2020
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Contudo, o que se nota na sociedade brasileira contemporânea é o oposto do que o autor prega, visto que a extinção das línguas indígenas no país é um obstáculo, o qual dificulta a realização dos planos de More. Portanto, analisar seriamente as raízes e os frutos desta problemática é medida que se faz urgente.
Deve-se pontuar, de início, que a falta de debate se mostra como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo e sociólogo Jurgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que valorização e preservação de dialetos aborígenes no Brasil seja conservada, faz-se necessário discorrer sobre o tema. Dessarte, trazer a pauta esta questão e debate-la amplamente aumentaria a chance de atuação sobre a mesma.
Ademais, é imperativo ressaltar a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências, como um promotor do problema. De acordo com dados da UNESCO, publicados em seu Atlas Mundial de Línguas, o Brasil é o terceiro país do mundo com maior risco de extinção de línguas nativas. Partido desse pressuposto, são cento e noventa dialetos em perigo de desaparecimento, e cento e noventa culturas à mercê destes dados, visto que um idioma é mais do que apenas sua função social de comunicação, representando, também, a cultura e costumes de sua população. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a manutenção dessa conjuntura perniciosa.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Em vista disso, com o intuito de mitigar o desaparecimento de línguas indígenas, necessita-se urgentemente que o Tribunal de Contas da União direcione capital ao Ministério da Educação, que, através do financiamento de projetos e organizações especializadas na causa, atuarão na valorização e no ensino da língua e cultura aborígenes para crianças e jovens em escolas. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da extinção de idiomas nativos e a coletividade estará mais próxima da Utopia de More.