A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 16/11/2020

O filme infantil “Pocahontas” tem o nome da protagonista, uma ameríndia que vê a chegada dos europeus em sua terra. Em uma das cenas do filme, ela diz que os invasores acham que a aldeia é de ignorantes e selvagens, mas na realidade eles tem a sabedoria da compreensão da natureza. Fora das telas, na época do “descobrimento” do Brasil, os portugueses tinham o mesmo sentimento de superioridade que usaram para justificar a invasão e imposição de língua e costume. Por consequência, ao longo dos séculos diversas línguas nativas já foram extintas e o restante continua ameaçado. Tal processo é um desrespeito com a história do país e com as centenas de povos invadidos que têm o direito de manter sua fala como patrimônio imaterial essencial ao sentimento de pertencimento de seus descendentes.

Primeiramente, é importante observar imensidão do desrespeito já feito com as línguas dos povos nativos. Segundo o Atlas Mundial das Línguas, o Brasil tinha cerca de 1200 línguas antes da colonização, e agora tem 274 e diminuindo. Ou seja, não foi apenas um erro histórico e sim contínuo, em vista que continua acontecendo. As principais causas disso é a invasão das terras desses povos e o contato deles com a população de língua portuguesa. Mesmo com a valorização romântica da literatura no século XIX com Iracema de José de Alencar, o apagamento da história desses povos continuou acontecendo.

Em segundo plano vale ressaltar que os responsáveis pelo fim dessas manifestações culturais ainda são idealizados, como os bandeirantes, que mesmo com toda a violência e aprisionamento que cometeram com os indígenas ainda sim têm estátuas e homenagens por todo o país. Enquanto isso os povos continuam caindo no esquecimento e seus descendentes veem o que sobrou de sua cultura desaparecer.

Mediante o exposto fica claro que precisasse achar um novo meio de reparar esses erros históricos. Para isso, é necessário que o Ministério da Cultura garanta homenagens e museus aos costumes indígenas por todo o Brasil, com a finalidade de trazer valorização pela resistência desses. Além disso, o país deve reconhecer os falares nativos tão oficiais quanto a Língua Portuguesa, e não só dialetos. Apenas dessa forma será possível manter nas gerações a sabedoria e resistência desses povos massacrados pelas invasões europeias.