A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 23/11/2020
Com o advento da globalização, o mundo sofreu um fenômeno de difusão de uma cultura dominante, que passou a ser imposta e considerada superior as outras. Entretanto, desde sua descoberta, o Brasil sofreu algo semelhante, onde a cultura europeia foi considerada superior a dos índios que já habitavam o país. Tal acontecimento culminou na extinção de diversas línguas indígenas e persiste até hoje, seja por meio da difusão de uma cultura de massa ou, também, pelo preconceito enraizado na sociedade.
Em primeira análise, a cultura de massa, termo usado por pensadores da Escola de Frankfurt, se refere a uma cultura criada para fins lucrativos e comerciais, que pretende atingir muitas pessoas. Partindo desse termo, pode-se inferir que a maioria dos países que estão sendo invadidos por essa cultura estão perdendo a sua própria e, consequentemente, tendo o nacionalismo da sua população abalado. O Brasil não foge da regra, pois, pouco a pouco, tem extinguido vários elementos de sua cultura, como as línguas dos seus antepassados. Contudo, apesar de algumas medidas terem sido tomadas, como a criação de centros de preservação, a falta de conhecimento e interesse popular sobre essas línguas tem causado um descaso sobre um assunto de tanta importância na história da pátria.
Em segunda análise, durante o processo de descobrimento do Brasil, os portugueses consideraram os povos nativos, suas línguas e seus hábitos exóticos. Esse pensamento pode ser comprovado por meio da Carta de Caminha. Logo após o período de excitação, os viajantes passaram a impor sua cultura sobre os nativos, realizando a primeira missa católica em território nacional. A partir desse ponto, a cultura indígena passou a ser vista com maus olhos, fazendo com que a cada nova geração indígena, essa cultura passasse a ser menos difundida e, portanto, menos preservada. Hodiernamente, poucas pessoas conhecem essas línguas devido a sua inutilidade no dia a dia.
Urge, pois, a necessidade de ampliação do uso das línguas nativas, por meio da transformação dessas línguas em idiomas oficiais que devem ser ensinados nas escolas e que devem ser utilizados em documento e cobrados em vestibulares. Isso deve ser realizado pelo Estado, em parceria com o Ministério da Educação, e deve ocorrer para que as línguas indígenas possam continuar existindo no país e sejam úteis a ponto de os jovens se interessarem por elas e, assim, elas conseguirem sobreviver a cultura massificada. Só assim, o Brasil poderá ter sua cultura preservada e demonstrar amor e respeito as suas raízes.