A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 18/11/2020

No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o protagonista envia à Câmara dos Deputados um projeto de lei com o objetivo de instituir o tupi-guarani como língua oficial do Brasil. De forma antagônica à ficção, na contemporaneidade as línguas indígenas não são valorizadas de tal forma, além de sofrerem ameaça de extinção. Dentre as causas para esse cenário há: a perpetuidade da mentalidade colonialista e a negligência governamental em proteger as culturas dos nativos.

Em primeira análise, é fundamental compreender o conceito de “Darwinismo Social”, que buscava explicar, por meio de uma analogia com a teoria de Charles Darwin, que as sociedades também evoluem- sendo consideradas inferiores aquelas que não se baseassem na ciência e possuíssem rituais tribais. Diante dessa conjuntura, deve-se observar que uma das motivações para que as línguas indígenas estejam sob o risco de desaparecimento é a continuidade da perspectiva do colonizador que, acreditando ser mais “civilizado”, renega-se a integrar as culturas dos nativos nas escolas e demais instituições. Portanto, constata-se que a perpetuidade do isolamento das formas de comunicação dos indígenas e a intensificação da extinção destas.

Além disso, há de se considerar que a ineficiência do poder público em preservar os elementos das culturas desses indivíduos, como a língua, também fomenta o desaparecimento destas. Nessa perspectiva, a obra de Gilberto Dimeinstein, “O Cidadão de Papel”, ressalta a omissão do Estado em efetivar as garantias básicas aos cidadãos, sendo uma realidade a falta de mecanismos para a conservação das línguas dos nativos. Logo, tal panorama representa um risco para a perpetuidade desse povo, em razão de seus conhecimentos e tradições serem -majoritariamente- transmitidos oralmente.

Depreende-se, portanto, que é necessária a superação desta problemática. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições educacionais, promover as culturas dos nativos nesses espaços. Por meio da adição de aulas sobre essa temática na grade curricular, as quais devem abordar o ensino de algumas línguas indígenas e discussões sobre a importância delas para a construção nacional. Com a finalidade de que se possa superar o pensamento de inferioridade das mesmas perante as herdadas dos europeus. Assim, será possível atingir a valorização destas como objetivava a proposta de Policarpo Quaresma.