A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 24/10/2022
Em 1948, a Organização das Nações Unidas reconheceu o direito de um indivíduo a sua língua como Patrimônio Imaterial essencial à dignidade humana. Todavia, a crescente extinção de línguas indígenas no Brasil fere esse direito, e representa uma ameaça à cultura do país, em especial no que concerne a desvalorização histórica e a negligência estatal. Sendo assim, é fulcral a adoação de medidas que mitiguem o infortúnio.
À vista desse cenário, o baixo prestígio indígena motiva a vulnerabilidade de sua herança linguística. Sob esta ótica iminente, Marcus Bagno -um expoente linguista brasileiro- desenvolveu tese de que a língua representa a colonização híbrida do país. Nessa lógica, como defendido por Bagno, os falares indígenas são marginalizados e, por conseguinte, passam por um processo de apagamento, o que os coloca em risco de extinção. Dessarte, é medular resgatar a pluralidade da língua nacional.
Outrossim, o descaso das autoridades corrobora para a persistência do problema. Consoante a isso, o filósofo contratualista John Locke argumenta que os indivíduos cedem sua liberdade ao Estado que, em contrapartida, deve garantir os direitos dos cidadãos. De maneira análoga, o Estatuto do Índio prevê a inserção da comunidade ao corpo social, mas os povos locais permanecem segregados e, como denunciado por Locke, essa população fica privada de acesso aos seus benefícios. Destarte, revela-se a imprescindibilidade agregar os Índios aos centros sociais.
Portanto, com o fito de resgatar a cultura indígena brasileira, as escolas, responsáveis pela formação do senso crítico, devem promover a valorização dos falares dos índios por intermédio de palestras e oficinas. Elas seriam ministradas por nativos, que reforçariam a importância dessa língua para a formação do português atual, dos hábitos sociais e da história do Brasil. Assim, a língua indígena será respeitada como Patrimônio Imaterial do país.