A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 21/11/2020

O processo da fala está relacionado ao perfeito funcionamento do sistema estomatognático e sua associação ao sistema respiratório. Contudo, não se trata apenas de um mero processo fisiológico, visto que o signo linguístico é estabelecido por interações sociais e culturais. Assim, as línguas indígenas no Brasil estão passando por um processo de extinção em decorrência da padronização da língua portuguesa e do contato dos aborígenes com outras culturas. Logo, é imprescindível que medidas protecionistas sejam aplicadas para a preservação da diversidade linguística dos povos indígenas.

A princípio, é válido destacar que diversos segmentos da sociedade têm se esforçado para a homogeneização da língua portuguesa, de forma a reduzirem a possibilidade de coexistência de outras línguas. Um exemplo claro disso é o processo pelo qual apresentadores e artistas da televisão são submetidos para retirarem da sua fala sinais de regionalismo, passando a ideia de que a língua é única e imutável. Deste modo, gírias e sotaques são tratados como anomalias do idioma, o que dirá das línguas nativas que diferentes daqueles não se tratam de mera variação geolinguística, mas sim de um conjunto de signos pertencentes a outro idioma.

Entretanto, o contato cultural entre indígenas e falantes da língua portuguesa é inevitável e por si só configura como uma ameaça ao idioma aborígene. De acordo com a Fundação Nacional do Índios (FUNAI), nos últimos 30 anos os territórios indígenas reduziram consideravelmente em virtude da ampliação de terras cultiváveis pela soja e da exploração das grandes madeireiras. Com isso, foi observado um processo de aculturação das comunidades nativas, de forma a perderem diversos símbolos da sua identidade, inclusive o idioma.

Portanto, a preservação das línguas indígenas no Brasil deve ser tratada em caráter de emergência. Para tanto, a FUNAI deve monitorar a preservação da língua materna e aplicar ações que valorizem a cultura indígena, como a realização de eventos em escolas e empresas que estejam nas proximidades das comunidades indígenas. Deste modo, a sociedade terá contato com a pluralidade cultural e verá que é possível uma coexistência linguística. Ademais, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) deve reconhecer as línguas indígenas como um patrimônio imaterial, afim de valorizar esse bem que padece a cada dia.