A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 29/11/2020
Durante a primeira geração modernista, movimento artístico que buscara consolidar a cultura nacional, Mário de Andrade na obra “Macunaíma” exalta a diversidade da língua brasileira citando diversos dialetos e mitos indígenas. Em contra partida, após pouco menos de um século, tal indianismo é ofuscado pelo desaparecimento de idiomas nativos que é potencializado pela escassez de programas escolares voltados à valorização de costumes aborígenes.
É importante pontuar, de início, o processo histórico-social da perda de línguas nativas. Sob esse prisma, o Reino de Portugal, durante o processo de colonização, impusera por mais de trezentos anos seus costumes, os quais eram ditos pelos europeus como civilizados e superiores em comparação aos dos índios que, por conseguinte, tiveram sua cultura inferiorizada. Assim como os portugueses, a sociedade brasileira exalta seus hábitos e idioma em um processo de aculturação que reflete o cenário do desaparecimento das diversas linguagens indígenas; prova disso é que aproximadamente 90% das falas e dos dialetos nativos foram extintos segundo o Atlas Mundial das Línguas. Tal problemática representa um grave retrocesso.
Outrossim, é válido ressaltar que o descaso com os costumes dos índios é fruto, sobretudo, do sistema de ensino brasileiro, no qual a existência de programas dirigidos ao conhecimento da cultura nativa é escasso. Nessa perspectiva, o filósofo e professor Daniel Munduruku preconiza que as crianças e os jovens devem conhecer os variados aspectos dos hábitos indígenas. Nesse sentido, é certo afirmar que se as escolas não trabalharem de forma eficaz e abrangente a língua, a dança e a política dos aborígenes; as gerações futuras jamais respeitarão sua origem étnica e as conversações, que participaram do processo de formação de palavras da língua portuguesa, serão esquecidas.
Conclui-se, portanto, que intervenções devem ser realizadas para solucionar essa questão. Primeiramente, o Ministério da Educação, por meio das mídias publicitárias na televisão e nas redes sociais, deve apresentar conteúdos educativos sobre as línguas indígenas no Brasil; ensinando e exemplificando, rapidamente, que diversas palavras do cotidiano foram geradas por dialetos indígenas; em horários estratégicos ao longo do dia com o fito de alcançar um maior público para que as pessoas tenham um conhecimento linguístico-histórico sobre o que é dito. Vale ainda, que as secretarias estaduais de educação crie rodas de leituras anuais com livros que falem a respeito da cultura aborígene, a fim de que a instrução se torne, efetivamente, a arma mais poderosa para mudar o mundo: Nelson Mandela. Nesse ritmo, quiçá seja possível ver o surgimento de “novos Macunaímas” na literatura brasileira.