A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 25/11/2020
No documentário “Amazônia Sociedade Anônima”, é retratado problemáticas que os indígenas do país enfrentam para sua autoafirmação. Assim sendo, além das ameaças constantes aos seus territó-rios, abordado na obra, a perda da identidade linguística dos autóctones também deriva de consequên-cias desses conflitos. Isso posto, em contexto de extinção de línguas nativas, é válido analisar ora o índio como figura nacionalista, ora o aculturamento proporcionado pela evolução tecnológica.
Previamente, a importância do indígena é notória, inclusive exaltada em momentos como a primeira fase literária romântica brasileira, todavia, esse valor simbólico vem sido perdido ao decorrer do tempo. Nessa perspectiva, de acordo com Nelson Rodrigues, a sociedade tupiniquim contemporânea desen-volveu o que ele denomina como complexo de vira lata. À vista disso, esse conceito aborda o ideal de valorização do “outro” em detrimento ao “nosso”, que enfraquece o sentimento de pertencimento e as bases nacionalistas. Nesse segmento, a ignorância quanto a possibilidade de extinguir dialetos do alicerce histórico do Brasil contraria, portanto, o que Sérgio Buarque de Holanda aborda em seu livro “Raízes do Brasil”- no qual ocorre a afirmação do aborígene e de sua relevância sociocultural.
Em segunda análise, está o fluxo de dados em, segundo Marshall, uma aldeia global - interconexão do globo por meio da internet. Isso, somado a morte de anciões e negação dos jovens em aprender os idiomas primitivos, marcam a necessidade da intervenção estatal para mitigar essa extinção, já que os traços dessa forma comunicativa estão sendo esquecidos. Logo, no romance “Triste Fim de Policarpo
Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista defende o ensino do tupi-guarani nas escolas. Nessa conjuntura, hodiernamente, é importante o incentivo e reconhecimento do valor do dialeto nativista em âmbito nacional com medidas educativas. Ademais, essa primazia também é defendida por segmentos como a Organização das Nações Unidas (ONU)- decretou 2019 o ano internacional da língua indígena.
Logo, fica claro que é impreterível sanar ou ao menos remediar o processo de extinção de práticas afirmativas e culturais do autóctone. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela educação e desenvolvimento, devem criar um projeto que desenvolva o interesse dos jovens e, ainda, expanda os conhecimentos das aldeias. Essas ações poderão ser feitas por intermédio de voluntários e de estágios obrigatórios de graduandos em línguas nas tribos. Por conseguinte, esses conhecedores da base sociocultural primitiva devem exercer palestras, oficinas ou gincanas, com abordagem direta e interativa ao tema, nas instituições de ensino do município e estado. Assim, o teor instrutivo terá o fito em expandir valores, saberes, reconhecimentos e acabar com a lógica de “Amazônia Sociedade Anônima”.