A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 07/12/2020
“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”. O trecho precedente da música “Índios” ,da banda Legião Urbana,narra a dificuldade sofrida pelos indígenas brasileiros ao longo do processo de colonização.Longe do viés artístico,e adentrado-se a realidade nacional,verifica-se a persistência das dificuldades enfrentadas pelos índios,especialmente,no que diz respeito à extinção das línguas usadas por eles.Dessa maneira,cabe analisar à ausência da valorização escolar desses dialetos indígenas,bem como a exclusão social dos índios é capaz de fomentar o crescimento dessa problemática social.
Pontua-se,em uma análise inicial,que a carência de mecanismos escolares voltados ao ensino dos dialetos indígenas nas escolas corrobora para a supressão dessas línguas.Isso ocorre devido a escassez de regras vigentes na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que priorizem o ensino dos dialetos indígenas nas escolas brasileiras para os estudantes de ensino fundamental e médio.Como consequência,verifica-se o sumiço das línguas dos nativos em território nacional.Prova desse cenário é,segundo o Instituto Datafolha, o fato de restarem menos de 17% dos idiomas indígenas originais.Desse modo,nota-se que “O Brasil tornou-se a nova Roma”(expressão utilizada pelo sociólogo Darcy Ribeiro para evidenciar a negligência governamental atribuída a grupos minoritários no país) para os pioneiros do território nacional.
Outrossim,atina-se para exclusão social dos índios brasileiros como fator determinante na manutenção do esquecimento de seus dialetos.Uma vez que o preconceito social e a naturalização da inferioridade social atribuída aos povos indígenas corrobora para o esquecimento estatal de suas causas desde o período colonial.Prova dessa conjuntura desumana atribuída a esses é, segundo o relato histórico mais conhecido: a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, o eurocentrismo dos portugueses evidenciado em:" me parece que o maior feito para esse país é salvar essa gente". Nesse sentido, constata-se a persistência do preconceito social voltado a esses,assim como a quebra da individualidade sofrida pelos indígenas,visto que(conforme ilustrou o linguista Ferdinand Saussare) " a língua falada por um homem está diretamente ligada a sua identidade social".
Urge,portanto,que,para o resguardo das línguas indígenas ainda existentes no Brasil, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério da Educação, deve reformular as diretrizes da BNCC(Base Nacional Comum Curricular) ,por meio da introdução do ensino dos dialetos indígenas nas matérias didáticas escolares do ensino médio e fundamental,com o intuito de ampliar o alcance do ensino das línguas aborígenes ainda existentes e reduzir o preconceito social disseminado na sociedade brasileira,a fim de que os índios brasileiros não enxerguem mais “um mundo doente”.